sábado, 28 de maio de 2011

Geografia


Gosto de montanhas e crateras. Posso ser volúvel, hora como o mar, hora como um vulcão. Sei ser confusa como um fuso horário, indo para todas as direções como uma rosa dos ventos.

Às vezes estou próxima de uma pessoa mas estamos separadas como dois continentes; o contrário também acontece. Também sofro processos de lixiviação: choro e arranco do meu coração tudo que há na superfície dele. Posso ser misteriosa como um pântano. Meus amigos são tão variados como a flora do Pantanal. Em certas situações sou fria como o clima polar, mas não gosto, prefiro o calor tropical.

Ando perto da linha do Equador, apesar de ter alguns desvios, como qualquer um. Sofro intemperismos e às vezes algum abalo sísmico, mas continuo aqui, viva.

Sabe o que quero dizer? Sou uma pessoa e quero abraçar o mundo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Terror psicológico

Começou assim: aula chata. Era daquelas em que se olha no relógio a cada 25 minutos e descobre que, na verdade, se passaram apenas 3. Maria ia ler um livro que deixara na bolsa enquanto a professora discorria sobre coisas que ela já sabia - quando o monitor do bloco abruptamente abriu a porta da sala.
- Maria?
Era a única Maria da sala e todos olharam para ela. Isso porque ninguém havia aberto a porta daquela forma. Sequer haviam aberto, pelo menos para chamar por alguém.
- Eu. - disse timidamente.
- Qual é seu sobrenome?
- Marquês Lima.
- É você mesma, é pra ligar pra sua mãe.
Começaram comentários bobos, mas ela não quis escutar. Seus pais jamais haviam ligado atrás dela durante a aula, ainda mais dessa forma. Foi para o lado de fora da sala e ligou. Secretária eletrônica.
O monitor estava falando que haviam chamado da cordenação, dizendo que ela deveria ligar para a mãe. Tentou de novo. Secretária mais uma vez. O desespero começou a tomar conta "Onde estava minha mãe?" "Aconteceu alguma coisa?" "Ela está bem?".
Mas se haviam pedido da cordenação para entrar em contato, era sinal que seu pai havia ido até lá, pois estava sem celular. E se era pra ligar para a mãe, sinal que ele não a encontrava. Mas como não? Ela sempre fica no carro.
Tentou ligar de novo. Mesma coisa. O desespero aumentava. Mas onde minha mãe poderia estar? Ela nunca sai do carro. Ela sempre fica no carro. Desceu as escadas rápido e no caminho resolveu correr. Olhou na reitoria e não havia ninguém, então continuou correndo, dessa vez para o carro.
Justo Maria, que sempre odiou educação física e tinha o mesmo preparo que uma lesma para corridas, teve que encarar a subida do estacionamento. Encarou ainda correndo.
Quando viu seus pais dentro do carro, seu pensamento mudou de foco: "E se ela mandou ligar porque acabou a bateria do celular, por que aconteceu alguma coisa com a vó?". Provável, sua avó sofria de Alzheimer e a idade lhe trazia os típicos problemas de pressão alta.
Chegou com dor, as pernas estavam desacostumadas de correr, os pulmões e o coração também. Sentia-se muito mais velha do que era e mal conseguia respirar. Tremia pelo corpo inteiro de nervosismo de tudo que imaginou ter acontecido. Apoiou-se no carro, desnorteada.
- Oi, cadê tua bolsa? - a mãe disse, notando que havia algo errado.
- O que que aconteceu? - Maria perguntou desesperada.
- Como assim? - o pai perguntou.
- Passaram o rádio lá na minha sala, o segurança veio falar que era pra ligar pra minha mãe, eu ligava, ligava, e só caía na secretária...
- O celular tá sem bateria filha - a mãe esclareceu.
Nesse momento ela estremeceu. Então havia mesmo algo errado.
- Aconteceu alguma coisa?
- Ninguém passou rádio, Maria. - esclareceu o pai.
- Disseram que tinham pedido da cordenação, falaram meu nome e sobrenome, não tinha como ter confundido, eu fiquei tão preocupada, e vocês não atendiam o celular
- Tava sem bateria filha - a mãe ressaltou, tentando acalmá-la.
- Falaram meu nome e sobrenome, Maria Marquês Lima, não tem como confundir, não se confunde um nome inteiro assim...
O pai, percebendo a situação, saiu do carro e disse que iria com ela para ver o que acontecia. De qualquer forma Maria precisava voltar para a sala buscar suas coisas, mas agora outro pensamento lhe passava pela cabeça "Quem sabia meu nome inteiro? E por que queriam que eu ligasse pra minha mãe? Vão fazer alguma coisa? É alguém que me conhece?" Pensou no livro que estava lendo, "Notícias de um sequestro" e passava-lhe pela cabeça que poderia ser uma tentativa de sequestro, mais rápido do que ela era capaz de repelir a mesma ideia.
Vasculhou os corredores dos dois primeiros andares antes de ver o mesmo monitor caminhando no último andar. Tentou acompanhá-lo e o encontrou no final do corredor esquerdo. Seu pai a seguia e foi quem falou com ele, perguntando de onde havia vindo a ordem para chamar Maria.
- Mas foi Maria Marquês Lima?
- O senhor quem é? - o monitor perguntou, ríspido.
- Sou o pai dela.
- Foi sim, Maria Marquês Lima, disseram lá da cordenação, você conseguiu falar com a sua mãe?
- Conseguiu porque ela foi pessoalmente, mas a mãe dela e eu não chamamos ela não.
- Mas chamaram sim, Maria Marquês Lima.
Nesse momento, Maria percebeu duas coisas. Primeiro, que estava quase que completamente incapacitada de falar. Segundo, que estava esquecendo seus pertences à toda hora enquanto pensava quem e porque teria anunciado seu nome dessa forma.
Entrou abruptamente na sala, pegou suas coisas e saiu. Mal ou sequer respondeu quem lhe perguntava o que havia acontecido. Não pensava direito.
Foram para o prédio da cordenação e conversaram com a mulher que fez a chamada. Era uma moça jovem e simpática e logo esclareceu o mal entendido.
- Não, eu disse Maria da Glória, repeti duas vezes ainda.
- Mas eu entendi Maria Marquês.
- Não, é Maria da Glória, ela faz dependência e o nome da mãe é Cláudia, o nome da sua mãe é Cláudia?
- Não, é Angélica.
O monitor ainda quis discutir com a secretária a respeito disso. Maria já nem pensava, estava quase caindo de alívio misturado com raiva. Ela sentiu tudo aquilo a toa. Foi embora recebendo desculpas que não acatou. Foi tudo um terror psicológico.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Nunca vi um filme búlgaro

Já ouvi músicas norte-americanas, mais do que as brasileiras. O último filme que vi era dos EUA e os outros quatro últimos também. Mas nunca vi um filme indiano. Já vi sim, filmes que se passam na Índia, etc.

Nunca assisti séries australianas. Quais as 10 bandas que mais fizeram sucesso na China? Não sei também, não conheço nenhuma. E vocês têm lido muitos livros de escritores tailandêses? E aquela novela que faz muito sucesso Eslovênia? Eles têm novelas?

Sabia que Laos é um país? É, asiático.

Vivo num Brasil que é monocultural.

sábado, 14 de maio de 2011

Maldade feminina



L: Hoje vi uma velha... nem tinha cabelo branco ainda, mas cheia de rugas, o rosto super flácido, parecia até que derreteram borracha e virou a cara dela, sabe? A-CA-BA-DA!
Mas amiga... você não sabe a melhor parte, parecia a Izabella! Quando eu vi imaginei ela daquele jeito, nossa, quase infartei rindo! E imagine, do jeito que ela é toda "mimimi", quando ficar daquele jeito, ai nossa, me senti até realizada, bem que podia acontecer logo né?
B: Amiga, você não presta mesmo!

B: Guria, você não sabe quem me ligou hoje, a L!
T: Jura que aquilo ainda fala com você?
B: Fazer o que, é sapata, me aaaama!
T: hahahaha, ela ainda veste aquelas calças camufladas?
B: Mas deixa eu te contar que ela ando falando da Izabella de novo...
T: Ah meu Deus, conta.
B: disse que viu uma velha com a cara parecendo borracha derretida e imaginou ela velha!
T: Hahahaha, que louca. Então amiga, tenho que desligar, vai começar Pretty Little Liars e eu quero ver, disseram na Capricho que o Lucas vai trazer o Caleb de volta, acredita??
B: nossa, que babado! Nem vejo mais, Hellcats é bem melhor!
T: To indo! Xoxo

DIRECT MESSAGE

t144 Tatiane Amaral
@izza Perua, a B me ligou! Lembra que ela deu pro H. semana passada? Me ligou toda alegrinha, acho que deu pra outro, uma putaaaaa

izza Izabella Domanowski
@t114 Puta é esperta, ganha dinheiro com isso, ela é biscate e bem burra!


Quem aí nunca viu um caso de maldade feminina? :)

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Romance


Era noite, escura e limpa. O céu livre de nuvens era exposição das radiantes estrelas. O calor de primavera, a brisa e as flores eram convidativos ao romance.
Ela havia passado um dia maravilhoso com o namorado. Eles eram como menino e menina, carregavam a inocência do primeiro amor; o tipo de delicadeza que faria qualquer pessoa mais velha sorrir ao lembrar-se de antigos romances.
Acenava para ele pelas grades do portão, levemente abobalhada (como qualquer jovem que é verdadeiramente apaixonada). Já pensava em quando se encontrariam de novo, talvez até já sentisse saudades.
Ele prestava atenção pelos retrovisores - apesar de saber que a rua sempre estava vazia à noite - e mesmo assim encontrava um tempo para acenar de novo olhando para ela. Eles se amavam.
O fiat uno 2010 que ele dirigia era amarelo. Ela achava a cor engraçada, mas era nisso que se prendia enquanto o observava se afastar. A três quadras de distância, ele também já sentia saudades: queria voltar e abraçá-la, talvez propor que fugissem juntos para qualquer lugar, ao mesmo tempo em que refletia se ela o acharia estúpido caso o fizesse. Pensava sobre isso quando um Jeep Cherokee preto, vindo justamente em sua lateral, acertou-o em cheio. Seu carro ainda foi arrastado por 3 metros, então girou até ser acertado contra um poste, quando parou. O garoto já estava morto.
A garota ainda demorou um pouco para entrar em casa, pensando se ele chegaria bem. Já sentia saudades.

Cachorro morto

Voltando para casa de carro com meus pais vimos, no canto da rua, quase à calçada, um cachorro morto: atropelaram-no.
Ficaram por alguns instantes conversando sobre isso "Tadinho do cachorro", minha mãe murmurava enquanto meu pai discorria sobre a falta de atenção dos motoristas e o abandono dos animais.
Durou uns cinco minutos no máximo, depois passaram a falar sobre uma feira de móveis e decoração.

segunda-feira, 9 de maio de 2011


Existem vários tipos de fãs, cada um vê certas atitudes como obrigatórias pra poder "deixar" alguém gostar de determinados artistas; quem não passar no teste é poser. Vamos ver alguns tipos de fãs?

Fã Wikipédia: É o mais comum. Não aceita como fã quem não souber tudo sobre o ídolo - tudo mesmo. Os quiz mais demoníacos que você vê sobre artistas foram feitos por eles.

Fã "Tatuagem": Acha que, pra ser fã, precisa ter tatuagem do ídolo.

Fã Pré adolescente: não faz nada, só grita. Costuma carregar cartazes como "pega eu" ou "casa comigo".

Fã old school: É fã desde o começo da carreira e não aceita quem é a menos tempo. Gosta de se vangloriar por isso e só canta músicas que não foram singles. Alguns também guardam notas fiscais, só pra dizer que compraram primeiro.

Fã colecionador: para mostrar que é fã, precisa ter tudo do artista. Desde Cds, DVDs e revistas até bottons, camisetas, biografias não autorizadas, canetas, apontadores, mochilas, etc. E para comprovar, tira foto com tudo, ou de tudo.

Fã "cosplay": Veste-se como o ídolo. Compra na mesma loja ou manda fazer tudo. Também copia cabelos, maquiagem, piercings, dentre outros. Alguns ainda arriscam cantar ou tocar o mesmo instrumento musical do artista. O maior elogio para esse tipo de fã é dizer que ele parece com seu ídolo.

Fã presente: Acompanha todos os jogos de futebol. Alguns fãs de bandas viajam "junto" com a turnê para ver os shows. O importante é a presença.

Eu acho que ser fã é sentimento, algo maior do que a quantidade de informações que você armazena sobre a pessoa ou o tempo que você gosta. Não dá pra avaliar. Principalmente na música, quantos fãs dos Beatles surgiram depois que a banda acabou? E são fãs.

E vocês, conhecem ou são um desses tipos de fã? O que é ser fã pra vocês? São fãs de alguém? :)

Tragédia


Tragédia é onde culmina o drama. É querer o que não se pode alcançar: os excessos e frustrações vão se transformando em obsessão até que... até que nada: acaba tudo.

domingo, 8 de maio de 2011

Livro

Livro é uma história que alguém contou e a gente lê. É uma nova história que criamos enquanto lemos o que outra pessoa escreveu, é experiência que não vivemos, mas temos, só por pensarmos.

Livro é aquele enorme que nos assusta, mas depois não queremos largar e ficamos tristes quando termina. É aquela série que lemos antes do autor terminar de publicar, aí ficamos desesperados aguardando a continuação.


Livro é ansiedade, cumplicidade com personagens que nem existem, mas refletem algo de nós que os torna reais.

Livro é o que muita gente esquece: preferem o twitter.

E vocês, gostam de ler? Qual foi o último livro que terminaram? O que acharam dele? :)

Estudar


Não estou mais no jardim de infância onde meus trabalhos eram desenhos e meus exercícios de prova eram mostrar que sei escrever "JACARÉ" assim, com letra de forma.
Cresci. No ensino médio tinha mais provas, mais exercícios, tanto conteúdo. Às vezes eu cansava e não queria estudar, depois ia mal e precisava gastar o dobro do tempo, perdia duas semanas de férias em recuperação final. Por ter me dado ao luxo de ficar cansada. E o fantasma do vestibular...

Finalmente, cheguei em uma universidade. Me esforcei: li muito, estudei, anotei tudo nas aulas, não saí à noite nenhuma vez. Nem sempre minhas notas corresponderam ao meu esforço.
Não desisto. Faço o curso que quero, com matérias que eu gosto e não me abalo por gastar um tempo a mais. Quando estou cansada penso nisso. E é o que importa.