segunda-feira, 25 de abril de 2011

Amiga falsa

Tive uma amiga falsa. Na verdade, tive várias, mas quero falar dessa em especial.
Um dia, cansei dessa amiga falsa. Escrevi pra ela no MSN tudo que ela fingia, tudo que me incomodava porque eu sabia, porque não enganava ninguém.

Tive uma amiga falsa. Eu explodiria de raiva se falasse diretamente com ela: isso porque eu nem sempre soube que era falsa, ela já foi quase um exemplo pra mim, meu ombro amigo, minha parceira. Não foi, fingiu. Também não me arrependo de nada que eu disse, nem de ter cortado todas as relações que tinha com ela.

Ontem mencionaram o nome dela e doeu em mim. Isso porque podemos falar tudo e mesmo assim nada apaga da memória quando alguém toma uma importância enorme em nossas vidas e depois nos magoa profundamente.

A verdade é que a excluí sem perdoá-la.


E vocês, já tiveram amigas falsas?

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Coração

Nos detestávamos desde a infância, por sermos tão diferentes. Para começar, enquanto eu ainda era criança, ela já era pré-adolescente, tinha preocupações que eu não entendia: beleza, fofocas, garotos. Adorava intrigas, chamar atenção; eu sempre fiquei na minha.

Nos detestávamos desde a infância, por sermos tão parecidas. Como que aqueles cabelos escuros e enrolados, os olhos castanhos tão escuros que quase não dava pra ver a pupila, a pele branca e as feições poderiam ser tão semelhantes em duas pessoas com almas tão diferentes?

Estudamos por 10 anos no mesmo colégio, fomos da mesma sala uma única vez, mas nunca fomos amigas, nem conversamos direito. Nos detestávamos por sermos tão diferentes: uma jamais sucumbiria aos interesses da outra, a aproximação seria impossível, como amizade de gato e rato.

Mesmo assim, um dia, solidarizei com ela. Quando eu era adolescente, ela já era adulta. Mas tinha algo diferente, ela estava com coração partido. Nesse dia eu descobri duas coisas: primeiro, que ela tinha coração. Segundo, que era coração de menina.

Não lhe disse nada, apenas guardei seu segredo comigo. Também não deixamos de nos detestar, aquilo já era nosso. Mas eu percebi que não importa os desafetos que temos com as pessoas, elas continuam sendo pessoas. Naquele dia, tornei-me adulta também.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Nunca fui



Nunca fui a menina mais popular, ou a mais bonita. Nunca fui cheia de amigos. Não me sujei em poças de lama. Sempre fui a quieta, a estranha. Já tentei ser normal. Não, não.

Ninguém é normal: quem é, passou por um grave processo para se desfazer de si mesmo. Não, não.

Prefiro ser a quieta, a estranha mesmo. Eu sei que custa me chamarem de metida e antipática, mas não importa. Pelo menos sou eu, não uma invenção feita pra agradar.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Fofocas


Começou quando eu estava na 5ª série e vieram me dizer que uma menina - com quem eu nem falava, só conhecia de vista - "ficou" com um outro garoto, que eu nunca tinha ouvido falar. Primeiro que, com 11 anos, eu nem sabia o que era ficar. Segundo: o que eu tinha a ver com a vida dela?

Depois eu descobri o que era. Não foi na prática, ainda demorou um pouco. Um beijo. Tudo bem, ela beijou com 11 anos, normal. Um pouco antes de descobrir o significado de "ficar", soube quem era o garoto. Um que as meninas achavam bonito, o estereótipo de um idiota. Eles combinavam quanto às duas coisas. Mas a resposta pra última pergunta eu não encontrei: o que eu tinha ver com a vida dela?

Não tinha, nunca tive. Mas eu estava na vida dela. Estava, porque nunca conversamos, mas ela falava mal de mim. Dizia mil coisas, da minha aparência, personalidade, das minhas companhias. Como ela sabia tanto e não sabia nada? Me julgava. E falava de mim. O que ela tinha a ver com a minha vida?

Às vezes parece que as pessoas se movem por detalhes supérfluos da vida dos outros e não se sentem realizadas enquanto não os reduzem a nada. Enquanto não os convencem de que são menos que nada. E quando o fazem, não se sentem satisfeitas mesmo assim: sua frustração é o que recomeça o ciclo. É assim que as pessoas se destroem, como um ciclo da vida.

Mas a gente tinha 11 anos. Deveríamos ser crianças, ou pré adolescentes. E mesmo assim já nos destruíamos. Hoje tenho 18 anos, em que pé estou?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Palavras estranhas


O português tem tantas palavras que eu não canso de me deparar com umas realmente engraçadas, outras bizarras! Algumas quase ninguém deve conhecer, outras até que bastante gente conhecia, o que me surpreendeu. Penso nas situações constrangedoras que devem causar pra quem não sabe o significado, vamos ver algumas?

Entre o oficial e o pai do filho desaparecido:
- Senhor, encontramos seu filho incólume na valeta noite passada.
- Eu sabia! A desgraça aflige minha família, minha vida, está tudo destruído, meu único filho...
- Significa que ele está são e salvo, senhor.
- Ah sim, amém, Deus sempre foi tão piedoso comigo, com todos os meus entes queridos...

Namorado para o pai da namorada:
- O senhor daria seu beneplácito para que eu me case com sua filha?
- Eu sabia! Esse interesseiro ladrão sempre quis meus pertences, tá querendo meus órgãos, pra eu morrer e ficar com tudo que tenho, até minha filha! Cachorro! Safado!
- Pai, beneplácito quer dizer consentimento, você só me constrange! - Diz a filha, envergonhada.
- Você quer me punir casando com um idiota que fala desse jeito.

O que mais?

- Ele estava com uma belicosidade animal! (agressividade)
- Essa é minha versão burilada da história! (aperfeiçoada)
- Não é azo de usar essa roupa. (ocasião)
- Você está me abespinhando. (irritando)
- Mas isso é um verdadeiro alfarrábio! (livro antigo)

E você, conhece alguma palavra estranha? Como ficou sabendo dela? Você conhecia alguma das palavras usadas nesse post?

Salto Alto

Ouvi falar na ideologia do salto alto, alguém aí conhece? Vem daquelas frases como "mulher faz o mesmo que o homem, mas de salto alto" ou "humilho sem descer do salto alto". Significa um poder feminino. Pra algumas mulheres, usar salto alto a torna outra pessoa, alguém superior, com super poderes, capaz de fazer e falar tudo, além de super sensual. Chega a ser até engraçado falando assim, né?

Eu tenho um salto 11 cm. Quando eu o coloco, fico com 178 cm. Também fico a mesma pessoa de sempre. Uso porque é um salto lindo. Também uso porque meu namorado é muito alto. Nunca me senti melhor do que ninguém, "maior" do que os outros.

E vocês meninas, usam salto alto? Quando usam, como se sentem? Vocês acreditam nessa ideologia do salto alto?

terça-feira, 5 de abril de 2011

Vintage

Tenho mania de vintage. Apesar dos dicionários mais formais definirem que "vintage" só se aplica à moda (e nem toda moda, só partes específicas), quero usar vintage como gíria. Tenho mania de gostar de coisas antigas, trazê-las de volta.

Talvez tenha essa mania porque estou ficando velha. Acontece porque anos atrás eu chegava perto dos 15 anos, depois perto dos 18, ano que vem farei 20. Ou talvez eu saiba valorizar clássicos. Não sei, é uma mania nova. Mas é uma mania nova de vintage.

Gosto de filmes da Marilyn Monroe e da Audrey Hepburn. Escuto pop dos anos 80 e 90 (mas não ignoro os de 2000 nem os da década de 10). Adoro pin up. Acho um charme cabelos curtos e volumosos, amo as maquiagens dos anos 50. Escrevo cartas de verdade e as envio em papéis de carta.

Mas não é só esse meu vintage. Trago o antigo de mim a todo tempo. Minhas memórias, meu jeito, meus sentimentos. Sinto e lembro de novo. Vivo de novo. Tenho mania de vintage.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Imperfeita

Não sou a melhor pessoa do mundo. Tenho mil defeitos e manias insuportáveis. Custo até aprender com minhas falhas e também para admiti-las. Magoo pessoas que amo e deixo impune as que mereciam. Erro ao escolher em quem confiar. Insisto em pensar no que poderia ter sido ao invés de viver o presente. Expresso minhas emoções errado.

Poucos querem me entender, menos ainda o conseguem. Não sou interessante. Não tenho histórias pra contar, nem sorrio fácil.

Mas também não sou a pior pessoa do mundo: nunca matei alguém.