Depois de você, eu prometi a mim mesma que não seria mais
sentimental, porém, cá estou eu, um ano depois do dia em que nos conhecemos,
escrevendo um texto idiota, sobre sentimentos idiotas.
Você entrou na minha vida pouquíssimo tempo depois que o meu
namoro acabou. Quando eu achava que não iria querer nada por um bom tempo. Na
primeira vez que conversamos, era como se fôssemos velhos amigos. Na primeira
vez em que saímos eu genuinamente gostei de você, de como você me fazia rir,
como eu podia ser eu mesma perto de você, como você entendia o meu senso de
humor estranho e eu não tinha aqueles momentos incômodos que eu tenho com
todas as outras pessoas.
Eu não queria sentir, criar expectativas, mas naquela época
Blank Space era um hit do momento, e quando eu ouvia era inevitável lembrar
você. “I’ve got a blank space
baby, and I’ll write your name”.
Quando eu pensava em você, pensava em te dar um abraço bem longo e um beijo no pescoço. Pensava que gostava de andar de mãos dadas com você, como quando fomos a pé até a minha casa. Era uma maré me arrastando sem eu perceber.
Quando eu pensava em você, pensava em te dar um abraço bem longo e um beijo no pescoço. Pensava que gostava de andar de mãos dadas com você, como quando fomos a pé até a minha casa. Era uma maré me arrastando sem eu perceber.

Mas não era o que você queria. Sabe, li um texto sobre o
filme 500 dias com ela, e talvez eu seja como o Tom, afinal. Logo você começou a me enrolar. Marcava de sair, tinha um imprevisto,
desmarcava. Começava a responder minhas mensagens, de repente ficava calado por
dias, no meio de uma conversa. Sempre era eu quem voltava e insistia - justo eu, que odeio puxar assunto com as pessoas.
Talvez eu tenha ficado mais magoada com tudo o que criei em minha cabeça e foi frustrado do que com você, propriamente. Você não podia simplesmente dizer que não queria mais sair comigo, ao invés de me
ignorar e me enrolar?
Você me disse que
gostava de mim e isso te assustava, que você não conseguiria levar adiante. Um lado meu acreditou, outro não. O que acreditou
ainda tentou, mais uma vez, te chamar pra sair. E mais uma vez você ignorou.
Até hoje a mensagem está lá, a última que te mandei. Ainda agora, meses depois, eu olho para ela e sinto uma pontada (e lembro de Blank Space "It will leave you breathless or with a nasty scar").
O problema é o que me tornei depois de
você. Antes eu acreditava cegamente no amor. No amor dos filmes: “Love is like oxygen… love is a many
splendored thing, love lifts us up where we belong, all we need is love”. Aí
meu ex cravou a faca, e você torceu-a em meu peito.
Depois de você, eu
não queria acreditar mais. Eu não gostava das minhas conversas, dos meus encontros. Não me importava com eles, queria que fossem embora. Não quis sair de novo com ninguém. Tudo era estranho, eu não me sentia à vontade.
Eu sei que eu criei tudo isso, que eu
criei, cedo demais, um "eu e você" que não existia. É que você me fez bem e, naquele momento, eu realmente precisava.
O problema é que, nisso de não querer mais sentir, eu
dispensei alguém que eu realmente queria, e que me queria também. Eu tive medo.
Eu pensei em tudo o que poderia dar errado. Eu me convenci que aquilo era a coisa
mais idiota do mundo. Uma hora,
alguma coisa o faria ir embora. Pra quê começar?
Então eu menti que não sentia nada, e ele foi embora. E eu fiquei aqui, com o meu espaço em branco.

