O problema não é o cachorro. Não acreditamos que ele seja inferior ou coisa do gênero. Não achamos que o que as pessoas fizeram com o yorshire, ou qualquer outro que vocês compartilham, esteja certa. Não apoiamos que os cães sejam abandonados nas ruas.
É que achamos vocês hipócritas. Sejam sinceros, quantos cães vocês já adotaram? Porque teriam menos imagens assim se vocês adotassem. Vocês já viram um cão sendo mal tratado? Denunciaram?
Na verdade, esse é outro problema. Essas fotos "Denunciem". Vocês compartilham uma foto escrito "Denunciem", com a imagem de algum crime. Uma hora, 3 mil pessoas compartilharam e ninguém denunciou. Então temos uma foto que rodou a internet inteira sem mobilizar ninguém.
Tá aí o terceiro problema, vocês acham que clicar em "compartilhar", ou xingar o criminoso em um comentário é mobilização. Já ajudaram uma ONG hoje? Tem várias que lutam contra os maus tratos aos animais e elas precisam de voluntários, muitas estão falindo porque falta apoio financeiro.
E depois, mais uma vez, não achamos os cães inferiores, mas questionamos, da mesma forma, o que vocês tem feito pelas pessoas? Não digam que deram esmola pra um mendigo, pelo amor de Deus. O Natal está chegando, vocês doaram brinquedos a algum orfanato? Pode ser aqueles de R$1,99 mesmo. Ou visitaram um asilo?
Não apoiamos as fotos em que vocês compartilham gestos de heroísmo (ou suposto heroísmo) e dizem que aquelas pessoas são melhores que as outras. Realmente, são um exemplo e isso é importante, mas vocês não precisam diminuir todos os demais por isso. Na verdade, vocês não deveriam nem estar julgando valores aos outros. Não sabem que é daí que todos os tipos de preconceito surgem? Quando julgamos as coisas superiores ou inferiores?
Também entendemos que vocês querem que as pessoas que cometeram crimes sejam punidas. Mas não entendemos como xingar o Brasil ajuda nisso. Vocês literalmente são o presente e futuro do país e como vão ajudar a mudar algo com uma concepção tão medíocre? Já tem alguma hipótese consolidada sobre como melhorar? Leram a legislação e perceberam os pontos em que ela está falhando? E quando vocês não xingam o Brasil, querem que o criminoso morra porque são "contra a violência". Querem mais hipocrisia que isso?
A questão não é acharmos que vocês não se importam. Acreditamos que vocês precisam, urgentemente, mudar o jeito de pensar e agir. Defendam direito as coisas em que acreditam. Parem de se restringir em compartilhar fotos e tragam a ajuda que eles realmente precisam. Um cão e uma pessoa de rua não estão na internet, não faz diferença na vida deles que vocês compartilhem uma foto ou comentem "isso tem que acabar". Façam alguma coisa pra acabar. E façam logo porque, a cada dia, as coisas pioram.
domingo, 18 de dezembro de 2011
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Eu não li o Dom Quixote
Hoje em dia não parece, mas em julho de 2007, apenas quatro anos e meio atrás, eu tinha 14 anos. Acontece que resolvi mudar apenas de unidade no meu colégio, mas alguns livros eram diferentes. Isso me levou, pela primeira vez, à livraria do Chain.
Odiava livros. Aprendi a aceitá-los depois que entrei em jornalismo, em agosto do ano passado, e a amá-los apenas esse ano. Sem querer ser depressiva, mas muita coisa poderia ser diferente se o tivesse feito antes.
Enfim, voltando à história. Então eu, com meus catorze anos, entrei com a minha mãe na livraria. Já estávamos levando os livros quando um idoso se aproximou de mim. Era o dono da loja. Queria que eu levasse "Dom Quixote" - não comprá-lo, mas que eu lesse e depois lhe devolvesse, assim, sem compromisso.
Desprezei a atitude. Não queria o maldito livro. Livros nojentos, tão esnobes, cheios de letrinhas que, depois de certo tempo de leitura, me doem a cabeça. Livros com palavras que não entendo, de assuntos que não me interessam, com histórias que não me cativam.
Neguei até o fim e fui embora. Foi minha mãe quem me contou que ele era o dono. Hoje não sei nem se está vivo. Também nunca pensei a respeito disso, a memória me voltou há pouco.
Nos círculos que frequento hoje, as pessoas julgam demais. Ninguém se concentra no fato de que hoje eu amo livros. Ou focam que eu não gostava antes (o que consideram um absurdo), ou me consideram absurdamente inculta porque não li Dostoiévski, "nem Saramago! Misericórdia!". Não querem saber que mudei.
É justamente isso que é o mais importante pra mim, eu cresci. Cresci e amo livros, hoje eu não faria o mesmo. Porém, ainda me sinto incompleta: não li Dom Quixote.
Odiava livros. Aprendi a aceitá-los depois que entrei em jornalismo, em agosto do ano passado, e a amá-los apenas esse ano. Sem querer ser depressiva, mas muita coisa poderia ser diferente se o tivesse feito antes.
Enfim, voltando à história. Então eu, com meus catorze anos, entrei com a minha mãe na livraria. Já estávamos levando os livros quando um idoso se aproximou de mim. Era o dono da loja. Queria que eu levasse "Dom Quixote" - não comprá-lo, mas que eu lesse e depois lhe devolvesse, assim, sem compromisso.
Desprezei a atitude. Não queria o maldito livro. Livros nojentos, tão esnobes, cheios de letrinhas que, depois de certo tempo de leitura, me doem a cabeça. Livros com palavras que não entendo, de assuntos que não me interessam, com histórias que não me cativam.
Neguei até o fim e fui embora. Foi minha mãe quem me contou que ele era o dono. Hoje não sei nem se está vivo. Também nunca pensei a respeito disso, a memória me voltou há pouco.
Nos círculos que frequento hoje, as pessoas julgam demais. Ninguém se concentra no fato de que hoje eu amo livros. Ou focam que eu não gostava antes (o que consideram um absurdo), ou me consideram absurdamente inculta porque não li Dostoiévski, "nem Saramago! Misericórdia!". Não querem saber que mudei.
É justamente isso que é o mais importante pra mim, eu cresci. Cresci e amo livros, hoje eu não faria o mesmo. Porém, ainda me sinto incompleta: não li Dom Quixote.
sábado, 24 de setembro de 2011
Atrações do pop internacional marcam a primeira noite do Rock in Rio
Terminou às quatro da manhã deste sábado (24) o primeiro dia do festival Rock in Rio, na Zona Oeste da capital fluminense. O destaque foi para as três últimas apresentações do palco Mundo: Katy Perry, Elton John e Rihanna, respectivamente.
O show de Katy Perry (26) foi repleto de trocas de vestuário, que ocorreram em uma velocidade que surpreendeu os fãs. A americana subiu ao palco perto das 22:20 cantando Teenage Dream e encerrou a performance ao som de California Girls - coreografia que deu direito a dançarinos vestidos de biscoito - arriscando ainda um "obrigado" em português.
Em seguida, Elton John (64) começou seu show com "Saturday Night" e, durante pouco mais de uma hora, esbanjou suas mais de quatro décadas de experiência, apresentando clássicos como "Rocket Man". Entre uma música e outra, Elton John levantava-se para agradecer ao público e foi muito ovacionado.
A última apresentação ficou para Rihanna (23). O show, que estava previsto para 00:50 teve início apenas às 2:30. Apesar do atraso, apenas uma música foi removida da playlist da cantora. Entre coreografias sensuais, a barbadiana cantou hits dos mais animados, como "Only Girl", que abriu o show, aos mais lentos, tal qual "Unfaithful". Rihanna ainda subiu em um tanque de guerra cor-de-rosa para a performance de "Hard".
O lançamento de vários fogos de artifício encerrou a primeira noite do Rock in Rio, às 3:50, após a performace de "Umbrella". No mesmo palco destes artistas também cantaram os Paralamas do Sucesso, Titãs e Claudia Leitte. Esta noite a atração principal será a banda Red Hot Chilli Peppers, prevista para 00:50 no palco Mundo.
Para ver vídeos e fotos do evento, acesse o site do G1
O show de Katy Perry (26) foi repleto de trocas de vestuário, que ocorreram em uma velocidade que surpreendeu os fãs. A americana subiu ao palco perto das 22:20 cantando Teenage Dream e encerrou a performance ao som de California Girls - coreografia que deu direito a dançarinos vestidos de biscoito - arriscando ainda um "obrigado" em português.
Em seguida, Elton John (64) começou seu show com "Saturday Night" e, durante pouco mais de uma hora, esbanjou suas mais de quatro décadas de experiência, apresentando clássicos como "Rocket Man". Entre uma música e outra, Elton John levantava-se para agradecer ao público e foi muito ovacionado.
A última apresentação ficou para Rihanna (23). O show, que estava previsto para 00:50 teve início apenas às 2:30. Apesar do atraso, apenas uma música foi removida da playlist da cantora. Entre coreografias sensuais, a barbadiana cantou hits dos mais animados, como "Only Girl", que abriu o show, aos mais lentos, tal qual "Unfaithful". Rihanna ainda subiu em um tanque de guerra cor-de-rosa para a performance de "Hard".
O lançamento de vários fogos de artifício encerrou a primeira noite do Rock in Rio, às 3:50, após a performace de "Umbrella". No mesmo palco destes artistas também cantaram os Paralamas do Sucesso, Titãs e Claudia Leitte. Esta noite a atração principal será a banda Red Hot Chilli Peppers, prevista para 00:50 no palco Mundo.
Para ver vídeos e fotos do evento, acesse o site do G1
sábado, 17 de setembro de 2011
Pesquisadora lança dicionário da linguagem canina

A veterinária Paula Muniz divulgou neste sábado (17), o dicionário "Entenda seu Cão", baseado em sua tese de mestrado "Psicanálise aplicada a cães de pequeno e médio porte". A apresentação ocorreu na Livraria Saraiva do Shopping Morumbi entre às 14 e 16 horas.
A autora, que atuou durante uma década em terapia canina, afirma ter iniciado os estudos sobre o assunto para entender o que seus pacientes queriam dizer durante a sessão e, a partir disso, ajudá-los em seus problemas. Em entrevista, Muniz afirmou "Os cães hoje em dia sofrem muito estresse, pois os donos negam a eles a condição de animais, os submetem a comportamentos humanos. É pior para os (cães) de pequeno e médio porte, que vivem fechados em apartamentos. Isso não faz bem a eles".
O dicionário causou polêmica no dia de seu lançamento e já chamou atenção de veterinários e pesquisadores do mundo todo. O linguista alemão Karl Schneider publicou em seu blog* neste fim de tarde "É um absurdo. Não tem como provar o que um cão quer dizer, você não pode perguntar a ele, nem a ninguém, se aquilo está certo, ela (Paula Muniz) não pode tentar vender isso como um trabalho sério".
Apesar de controversa, a tese é pioneira nas pesquisas brasileiras sobre psicolinguística animal, área ainda pouco trabalhada e investida no Brasil.
*tradução aproximada
quinta-feira, 15 de setembro de 2011
Amnésia
"Esqueça de mim", foram as palavras dele. Desculpe, não sou capaz de cumprir. Não sou capaz e não quero. Primeiro porque a gente não esquece as pessoas assim, com um comando simples de "esqueça", até quem não gostamos acaba nos incomodando em pensamento, imagine as pessoas com quem realmente nos importamos. Segundo porque não quero, tantos momentos bons jogados no lixo por uma briga boba. Vamos rir disso daqui uns anos, não concorda?
Mas é que, veja bem, não é só isso, sabe. Como vou esquecer os passeios no parque, quando parávamos naqueles momentos constrangedores em que acabava o assunto ou não tínhamos o que fazer além de olhar para o nada, em completo silêncio até nossos olhares se encontrarem. Tá aí outro motivo, os olhos dele; não quero apagá-los de minha memória. E aquela vez em que nos beijamos debaixo de uma árvore e um bicho cabeludo quase caiu em cima de mim? Só pensei no porquê ele me beijava com os olhos abertos, viu bem a tempo de me puxar para o lado.
Se bem que... bata bem forte em minha cabeça. Não entendeu? Não estou ficando maluca. É que se for pra esquecê-lo, só com uma amnésia.
Mas é que, veja bem, não é só isso, sabe. Como vou esquecer os passeios no parque, quando parávamos naqueles momentos constrangedores em que acabava o assunto ou não tínhamos o que fazer além de olhar para o nada, em completo silêncio até nossos olhares se encontrarem. Tá aí outro motivo, os olhos dele; não quero apagá-los de minha memória. E aquela vez em que nos beijamos debaixo de uma árvore e um bicho cabeludo quase caiu em cima de mim? Só pensei no porquê ele me beijava com os olhos abertos, viu bem a tempo de me puxar para o lado.
Se bem que... bata bem forte em minha cabeça. Não entendeu? Não estou ficando maluca. É que se for pra esquecê-lo, só com uma amnésia.
quinta-feira, 8 de setembro de 2011
À Matemática,

Você nunca foi lá minha melhor amiga, mas lembra quando aprendi fração com barra de chocolate e depois comi? Pra onde foram esses bons tempos?
Você ficou absurda. Começou com aquela história de trigonometria... primeiro, de onde você tirou que 180º = pi? Pensa que todos não sabemos? Ninguém sabe quanto vale pi. Nem aquelas calculadoras japonesas que conseguem vários digitos depois da vírgula conseguiram chegar no valor exato. Mesmo assim, você insiste nisso. Está tentando me dar uma lição? Que 180º não existem? Você sofreu abdução alienígena?
E depois, Matemática, você começou a vir com umas coisas. Colocava um cubo dentro de uma pirâmide e queria saber a área do cubo. Melhor do que te perguntar como eu vou fazer isso, te pergunto, quem faz isso? E tudo bem, vamos supor que alguém realmente encontre um cubo e uma pirâmide nessas condições. Pra que vai querer saber a área? Eu ia querer saber porque um idiota colocou um cubo lá dentro.
Pior, você sempre foi muito autoritária. Resolva, descubra, calcule, determine... primeiro, que você não manda em mim, não é minha mãe nem meu pai. Segundo, pelo menos peça por favor antes de me pedir esses absurdos!
Pois é, nossa relação sempre foi muito atritada. Por sua culpa, fiquei com trauma de você. Because of you I learn to play on the safe side so I don't get hurt... e tal.
E essa carta que você me mandou
"Considere o conjunto de números complexos E = {a + bω}, onde a e b são inteiros e ω = cis (2π/3).
Seja o subconjunto U = {α∈E / ∃β∈E no qual αβ =1}. Determine:
a) Os elementos do conjunto U.
b) Dois elementos pertencente ao conjunto Y = E - U tais que o produto seja um número primo."
Você não mudou nada!Não tive opção senão cortar nossas relações na oitava série. E você só ficou pior! Agora andam com essa história de que falta engenheiros no Brasil. Ah, vá.
Atenciosamente.
terça-feira, 6 de setembro de 2011
As patricinhas morreram
Nessa segunda, passou Privileged, traduzido como "As patricinhas de Palm Beach", no SBT. Vi a Lucy Hale e me perguntei se ela estava fazendo duas séries ao mesmo tempo (para quem não conhece, ela é uma das protagonistas de Pretty Little Liars). Pesquisei e descobri que a série acabou na primeira temporada, com 18 episódios. Realmente, tem vários motivos pra isso, por exemplo: a protagonista, Megan, é insuportável, o amor de Charlie por ela não convence (quase nada convence, na verdade), os personagens em geral são rasos demais e não há motivos atraentes para prender a atenção e te fazer querer saber o que vai acontecer na sequência (bem o contrário de PLL, fazem tanto mistério com aquela A!) Mas acho que isso tudo é 50% do obstáculo que a série encontrou. Os outros 50% são porque patricinhas, do jeito que eram no início dos anos 2000, não existem mais. Tão década passada, né? Ninguém mais assume ser "patty" e assiste "Mean Girls" como religião. Ops, esse filme é de 2004... e lá existe algum mais recente?
As pattys de hoje trocaram a roupa completamente pink (incluindo os inseparáveis scarpins) por vestidos curtos, justos (mas principalmente curtos) de qualquer cor. Não brigam mais se gostam de Avril Lavigne ou Britney Spears, gostam das duas e de vários outros astros da indústria fonográfica (desde que produzam músicas adequadas para dançar e malhar, como Lady Gaga). Não se vestem todas iguais, como se estivessem uniformizadas e não necessariamente gostam das mesmas coisas, mas continuam concordando em tudo. Nenhuma delas têm blog com gifs animados e nem flogão.
O que as une às suas ancestrais é a obsessão pela aparência, uma feminilidade excessiva e a inegável queda por compras e marcas de grife. Mas nenhuma assume que é patricinha, dizem que tem estilo próprio e bom gosto. Na verdade, é o que todo mundo diz hoje em dia.
Os tempos mudaram e os produtores da série "Privileged" não perceberam isso. Às vezes, nem nós, que passamos a infância nos anos 90, nos damos conta. As Spice Girls quase voltaram esses tempos atrás, mas terminaram de novo, não é? As Spice o que? Até Gossip Girl está com a audiência baixa há umas duas temporadas. Ninguém mais liga pra Sharpay. O mundo é outro e as patricinhas morreram.
domingo, 28 de agosto de 2011
Traição psicológica
Começa assim:
- Você já me traiu?
E a resposta óbvia:
- Claro que não, meu amor.
Mesmo se tivesse traído, você não diria. Os mais inseguros inclusive treinam na frente do espelho a expressão facial "adequada", normalmente uma mistura de choque e indignação "Mas como uma pergunta dessas??? Eu nunca trairia você! Imagine... como pode, tamanha falta de...". Amadores. Já os mais experientes respondem com segurança, mas não tão exagerada a ponto de parecer declaração de amor à pátria. "Claro que não, meu amor", simples assim.
Pois é. Nesses dias dei de cara com uma pergunta que não era essa.
- Digo, você já se imaginou com outra mulher que não fosse eu?
Fiquei surpreso. Desde quando isso é trair?
Mas essa pergunta levanta uma questão a todos nós, homens e mulheres. Quem nunca traiu em pensamento? Nem é por querer, e não são só os homens não. Meninas, vocês assistem essas coisas de Crepúsculo, esperando o "vampirão" morder vocês (sei lá porque acham isso obsceno) e reclamando que não somos como o Edward: não julgamos vocês por isso.
Também, ninguém controla a imaginação. Sei disso por causa de um exercício nada a ver que fizemos em sala de aula, cada um dizia em que tava pensando. Acha que a gordinha imaginava comida? Que nada, sua mente estava no Egito, fugindo de múmias recém ressucitadas pela Pedra Filosofal do Harry Potter. E a maior viagem não foi dela não.
O que estou tentando dizer é que pessoas "traem" mentalmente, porque nosso pensamento é uma loucura, totalmente fora de controle. Nem caberia aí a palavra trair, defendo o termo "se aventurar". Não que eu esteja o tempo todo pensando em outras pessoas e lugares, só que às vezes saio da casinha. Todo mundo não faz isso? Faz.
- Você já me traiu?
E a resposta óbvia:
- Claro que não, meu amor.
Mesmo se tivesse traído, você não diria. Os mais inseguros inclusive treinam na frente do espelho a expressão facial "adequada", normalmente uma mistura de choque e indignação "Mas como uma pergunta dessas??? Eu nunca trairia você! Imagine... como pode, tamanha falta de...". Amadores. Já os mais experientes respondem com segurança, mas não tão exagerada a ponto de parecer declaração de amor à pátria. "Claro que não, meu amor", simples assim.
Pois é. Nesses dias dei de cara com uma pergunta que não era essa.
- Digo, você já se imaginou com outra mulher que não fosse eu?
Fiquei surpreso. Desde quando isso é trair?
Mas essa pergunta levanta uma questão a todos nós, homens e mulheres. Quem nunca traiu em pensamento? Nem é por querer, e não são só os homens não. Meninas, vocês assistem essas coisas de Crepúsculo, esperando o "vampirão" morder vocês (sei lá porque acham isso obsceno) e reclamando que não somos como o Edward: não julgamos vocês por isso.
Também, ninguém controla a imaginação. Sei disso por causa de um exercício nada a ver que fizemos em sala de aula, cada um dizia em que tava pensando. Acha que a gordinha imaginava comida? Que nada, sua mente estava no Egito, fugindo de múmias recém ressucitadas pela Pedra Filosofal do Harry Potter. E a maior viagem não foi dela não.
O que estou tentando dizer é que pessoas "traem" mentalmente, porque nosso pensamento é uma loucura, totalmente fora de controle. Nem caberia aí a palavra trair, defendo o termo "se aventurar". Não que eu esteja o tempo todo pensando em outras pessoas e lugares, só que às vezes saio da casinha. Todo mundo não faz isso? Faz.
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
Caixa Postal
Sonhei que você tinha deixado uma mensagem na minha caixa postal, dizendo que estava cansado. Antes que eu pudesse ouvir o resto, acordei.
Mas pense, que coincidência boba, havia mesmo uma nova mensagem de voz aqui. Queria ouvir, mas não tenho créditos e não consegui fazer recarga esta tarde, a operadora fora do ar.
Hoje você não apareceu e eu passei o dia inquieta. Por acaso, não foi você? Se foi, não estava cansado? Ou estava cansado de que?
Tomara que não seja de mim, desaprendi viver sem você.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Bailarina
Sonhei que era outra pessoa, uma bailarina. Não dançava havia algum tempo, mas não sei ao certo quanto. Sentindo falta de um significado para a própria vida, resolveu que voltaria a dançar.
Na garagem de casa, vestiu as velhas sapatilhas que encontrou no quarto, jogadas a um canto do guarda-roupa. Ainda sabia ficar na ponta dos pés - "é como andar de bicicleta", pensou - mas estava desacostumada com a posição, os dedos reclamavam.
Devagar, começou a levantar a perna esquerda. Era difícil, ela sentia que iria se desequilibrar, mas continuava tentando. Um tombo não significava nada perto da glória de redescobrir-se. Pensou em apoiar-se na parede, mas relutou: precisava conseguir isso sozinha.
Esticou o braço direito delicadamente para frente e o esquerdo para trás, enquanto continuava subindo a perna e buscando seu ponto de equilíbrio. Os pés já não lhe chamavam mais a atenção. Na verdade, aquela sensação de que já havia feito tudo aquilo várias vezes lhe invadiu, fazendo com que se sentisse confortável.
Finalmente, conseguiu o ângulo desejado com as pernas, sem desequilibrar-se. Olhou para elas, que tremiam pelo esforço, mas obedientes em sua posição; depois conferiu os braços. Buscou mais delicadeza na postura e animou-se.
Sentiu forçar próximo à virilha, estava desacostumada e havia perdido parte da elasticidade do corpo. Mas a glória estava em redescobrir-se. Comprou novas sapatilhas e prometeu que treinaria todos os dias até atingir a perfeição.
Seus primeiros movimentos foram a repetição dos que fizera na garagem. Já estava preparada para eles, então não se desequilibrou. Tentou girar. A primeira vez foi desengonçada, ela se perdeu da posição inicial. Respirou fundo, imitando aulas de yôga que nunca teve. Recuperou o foco e tentou novamente. Uma, duas, três voltas. Foi rápido demais: ficou tonta e desequilibrou-se.
Reaprendeu a girar, então não ficava mais tonta, mas não conseguia a flexibilidade que desejava nas pernas. Tornou-se sua obsessão. No período de aula, das 8 às 12, treinava constantes movimentos de balé. Estava prestes a reprovar por falta. Não parava para descansar, nem comia. Também não fez tantos progressos como imaginava.
Sentou com a cabeça entre os joelhos. Sabia porque isso ocorria: seu corpo dançava e sua mente focava em milhares de defeitos existentes e imaginários em sua postura, em tudo, mas sabia que o verdadeiro problema estava dentro dela - sua vida, absolutamente vazia e sem rumo.
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
Sombra - parte 1
Era uma poltrona grande, esverdeada, com braços cuja coloração dourada já havia se desgastado pelo tempo. Quando se apagava a luz da sala onde ela estava, a sombra não era a de uma cadeira. Eram cabelos longos e lisos um corpo magro de mulher, provavelmente baixa, e apenas um braço que encontrava seu fim na perna da poltrona, antes de se tornar possível avistar as mãos, ou o que elas seguravam.
Dependendo da luz que se acendia nos quartos, a cabeça se inclinava levemente para um lado. Mas continuava com aqueles contornos que perfeitamente poderiam ser uma cabeça com cabelos lisos, os ombros cobertos pelos fios, aquele corpo pequeno, com apenas um braço, fino e misterioso. O outro braço era coberto pela escuridão da sala.
Desde que passou a morar sozinho, medroso como apenas ele poderia ser, tinha medo da sombra. Parou de assistir filmes de terror aos 12 anos quando percebeu que os prejuízos em seu sono eram imensos - às vezes ficava semanas sem conseguir dormir, esperando desesperadamente o cansaço vencê-lo. O problema é que ele não sabia o que ela tinha nas mãos. O outro problema é que ela poderia levantar a qualquer momento. Ó, céus, a sombra.
Desejava ter um botão automático, para desligar a luz e não precisar passar, logo em seguida, ao lado da sombra. Nunca pisava nela, ia cuidadosamente pelos cantos do estreito corredor que se formava entre os dois. Possuía rituais que eram rigorosamente cumpridos para que nenhuma atitude a irritasse.
Dependendo da luz que se acendia nos quartos, a cabeça se inclinava levemente para um lado. Mas continuava com aqueles contornos que perfeitamente poderiam ser uma cabeça com cabelos lisos, os ombros cobertos pelos fios, aquele corpo pequeno, com apenas um braço, fino e misterioso. O outro braço era coberto pela escuridão da sala.
Desde que passou a morar sozinho, medroso como apenas ele poderia ser, tinha medo da sombra. Parou de assistir filmes de terror aos 12 anos quando percebeu que os prejuízos em seu sono eram imensos - às vezes ficava semanas sem conseguir dormir, esperando desesperadamente o cansaço vencê-lo. O problema é que ele não sabia o que ela tinha nas mãos. O outro problema é que ela poderia levantar a qualquer momento. Ó, céus, a sombra.
Desejava ter um botão automático, para desligar a luz e não precisar passar, logo em seguida, ao lado da sombra. Nunca pisava nela, ia cuidadosamente pelos cantos do estreito corredor que se formava entre os dois. Possuía rituais que eram rigorosamente cumpridos para que nenhuma atitude a irritasse.
segunda-feira, 15 de agosto de 2011
Igreja
Fora da igreja, eram o que eram, homens e mulheres: médicos, pedreiros, desempregados, assassinos. Dentro eram todos um só, filhos de Deus.
Ela não gostava de igreja, mas não era por isso. Talvez porque fosse ruiva e, quando passava, todos olhavam seus cabelos de coloração rara. Isso a deixava desconfortável: nem na "casa do Senhor" era considerada uma igual, era a ruiva.
O auge de sua inquietação foi quando visitou a maior Igreja de sua cidade. O interior fazia lembrar uma casa de shows, com palco, teto baixo em comparação com as outras igrejas, paredes brancas, alto-falantes e inúmeras bancadas. Ficou até o fim para ver a enorme fila de doações de 20 reais "para acalmar as coisas com Deus" e pensar o que Ele iria querer com aquele monte de papel.
Nunca contou que não gostava das igrejas, ninguém a entenderia. No fundo só pensava por que tanto concreto, se a casa do Senhor já estava dentro do coração de cada um.
sábado, 13 de agosto de 2011
O porquê sou escritora
Oi gente, passei um tempo fora, não sei se perceberam... meu computador estragou. O que eu tenho pra falar poderia ser uma nota no facebook, mas resolvi colocar aqui. Sinto falta de postar.
Prometi que meu post de retorno se chamaria "Igreja". Digito depois, quero falar de outra coisa com vocês.
O PORQUÊ SOU ESCRITORA (PARA ESCRITORES)
Não sei se vocês sabem, mas escrever, pra mim, não é apenas um hobbie, vai além de twittar. Não valorizei, descobri isso quando perdi todos os dados do meu antigo PC: vários dos meus inacabados (e acabados) textos se foram para sempre. Quero falar sobre os inacabados.
Fui criança de prédio (condomínio, especificamente), odiava esportes e amava ver todos os desenhos animados. Naquela época eu desenhava também. Mandava mal, mas eu achava lindo. Minha mãe odiava aquela bagunça, jogou tudo fora. Aí passei a escrever.
Meus textos eram como os desenhos: não davam mais trabalho, não custavam menos tempo e nem contavam outras histórias. Sempre criava personagens com super poderes, que voassem para me contar como era o mundo.
Eu já não era tão novinha quando criei a Líliam, nem foi minha primeira personagem. Aos 10 anos as amigas dela já existiam, aos 13 ela surgiu e, quando eu estava com 14 anos, todas já possuíam um mundo completo.
Sempre tive relutância em escrevê-las. Tantos anos imaginando-as com perfeição televisiva (nossos mundos nunca se cruzaram), para entregá-las em poucas páginas. Pior, para imaginarem uma Líliam com cabelo ruivo de tom diferente, com nariz mais fino. Uma catástrofe.
Hoje*, conversei com a minha professora de língua portuguesa (a Ana Mira, não sei se vocês conhecem) e ela me disse algo. Depois que escrevemos o texto, ele não é mais nosso, é do leitor, que nunca vai ler do jeito que imaginamos; é preciso um desapego. Mas, que horror, me desapegar deles, o que a Líliam faria sem mim? Que horror, professora, eu os criei com tanto carinho para soltá-los ao mundo?
Bem que dizem que escritor é maluco. Taí o que estava errado: eu não conseguia escrever porque nunca quis transformar esses personagens em palavras. Nunca quis que os conhecessem em plenitude como apenas eu me considerava no direito de fazer. Bobagem.
Para reformular toda a história e pela primeira vez cruzá-la com a realidade, vou levar um tempo. E aí escrever tudo vai ser um sufoco. Por isso estou abrindo mão de "Subversão" (texto que usei na Oficina de Romance da Biblioteca Pública do Paraná).
Creio que só os escritores vão entender o que eu falei. São malucos também.
*"Hoje" se refere a 10 de agosto de 2011, data em que a versão escrita à mão foi feita.
O PORQUÊ SOU ESCRITORA (PARA NÃO-ESCRITORES)
Aos 13 anos, criei uma personagem chamada Líliam. Nunca consegui escrever a história dela, até que hoje resolvi parar tudo e tentar.
Prometi que meu post de retorno se chamaria "Igreja". Digito depois, quero falar de outra coisa com vocês.
O PORQUÊ SOU ESCRITORA (PARA ESCRITORES)
Não sei se vocês sabem, mas escrever, pra mim, não é apenas um hobbie, vai além de twittar. Não valorizei, descobri isso quando perdi todos os dados do meu antigo PC: vários dos meus inacabados (e acabados) textos se foram para sempre. Quero falar sobre os inacabados.
Fui criança de prédio (condomínio, especificamente), odiava esportes e amava ver todos os desenhos animados. Naquela época eu desenhava também. Mandava mal, mas eu achava lindo. Minha mãe odiava aquela bagunça, jogou tudo fora. Aí passei a escrever.
Meus textos eram como os desenhos: não davam mais trabalho, não custavam menos tempo e nem contavam outras histórias. Sempre criava personagens com super poderes, que voassem para me contar como era o mundo.
Eu já não era tão novinha quando criei a Líliam, nem foi minha primeira personagem. Aos 10 anos as amigas dela já existiam, aos 13 ela surgiu e, quando eu estava com 14 anos, todas já possuíam um mundo completo.
Sempre tive relutância em escrevê-las. Tantos anos imaginando-as com perfeição televisiva (nossos mundos nunca se cruzaram), para entregá-las em poucas páginas. Pior, para imaginarem uma Líliam com cabelo ruivo de tom diferente, com nariz mais fino. Uma catástrofe.
Hoje*, conversei com a minha professora de língua portuguesa (a Ana Mira, não sei se vocês conhecem) e ela me disse algo. Depois que escrevemos o texto, ele não é mais nosso, é do leitor, que nunca vai ler do jeito que imaginamos; é preciso um desapego. Mas, que horror, me desapegar deles, o que a Líliam faria sem mim? Que horror, professora, eu os criei com tanto carinho para soltá-los ao mundo?
Bem que dizem que escritor é maluco. Taí o que estava errado: eu não conseguia escrever porque nunca quis transformar esses personagens em palavras. Nunca quis que os conhecessem em plenitude como apenas eu me considerava no direito de fazer. Bobagem.
Para reformular toda a história e pela primeira vez cruzá-la com a realidade, vou levar um tempo. E aí escrever tudo vai ser um sufoco. Por isso estou abrindo mão de "Subversão" (texto que usei na Oficina de Romance da Biblioteca Pública do Paraná).
Creio que só os escritores vão entender o que eu falei. São malucos também.
*"Hoje" se refere a 10 de agosto de 2011, data em que a versão escrita à mão foi feita.
O PORQUÊ SOU ESCRITORA (PARA NÃO-ESCRITORES)
Aos 13 anos, criei uma personagem chamada Líliam. Nunca consegui escrever a história dela, até que hoje resolvi parar tudo e tentar.
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Lago

Atravessava a ponte sobre o lago da Universidade. Na ida, preocupava-se com a chuva e o vento, que tornavam seu guarda-chuva pesado e instável. Tinha medo de derrubar os livros que carregava, pois haviam várias poças d'água. Pensava nas mãos congelando, mas estava com sorte: colocou todas as blusas de manga comprida que encontrou em casa, num total de seis, então estava quente no restante do corpo.
Na volta, a chuva tornou-se uma leve garoa e não havia mais o peso dos livros. Olhou para baixo enquanto atravessava a ponte e contemplou pela primeira vez o lago. A água não era limpa e nenhum dos peixes estava visível naquele dia. Com o vento forte, pequenas ondinhas curvas e sucessivas formavam-se e lembravam impressões digitais. Por causa do frio, a visão da água não remetia a algo líquido, mas a uma gelatina. Se estivesse mais frio aquilo logo congelaria.
Mas a ponte era curta e logo chegou do outro lado. Ainda olhou para trás e indagou se, caso o lago congelasse, os alunos poderiam patinar no gelo.
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Frio

O céu não possuía nuvens, de forma que o sol reinava naquela enganosa paisagem de tarde em Curitiba. Os termômetros de rua indicavam 7ºC e a previsão do tempo não era animadora: alguns diziam que chegaria a 0ºC, outros -2ºC.
Dentro de casa, observando o dia lindo lá fora, Amanda resolveu sentar-se um pouco na sacada. Mal abriu a porta de vidro, foi desenganada: o vento era cortante. Não viu solução além de sentar-se na cama, com um casaco de inverno e as pernas enroladas em 2 edredons e um cobertor enorme.
Já havia parado de pensar na praia de Camboriú, pois sabia que a nostalgia lhe fazia mal; agora pensava em lareira, chocolate quente, abraços e voltar a sentir os dedos das mãos. Mas tudo o que tinha limitava-se às cobertas, fechar a janela e reforçar-se de roupas até se sentir desconfortável para dobrar os braços, por exemplo.
O inverno havia começado há apenas 1 semana. Nesse desânimo Amanda passou a tarde sonolenta, lendo seu livro. Tinha as bochechas vermelhas e os lábios rachados pelo frio. Queria mexer no computador, mas sentia frio nas pernas ao sair da cama e nunca teve um laptop.
Acabou por terminar as 140 páginas que restavam do livro em 4 horas isolada no quarto. Depois, pegou um pequeno cobertor que tinha desde bebê, cobriu as pernas (o que a fez se sentir como a avó materna) e sentou-se à frente do computador para assistir filmes baixados pela internet. Não tinha nenhum achocolatado em casa e não sairia naquele tempo para comprar, ficou sem beber nada. Essas coisas de inverno.
E vocês, o que fazem em dias de frio?
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Yasmin - Parte 2
Chegou e estacionou na vaga mais distante da entrada. Pegou o grande saco azul com zíper no porta-malas e colocou sua amada ali dentro. Ela não mostrou resistência e ele deixou uma brecha para olhar seu rosto. Caminhou novamente com ela no colo, então no meio do caminho precisou fechar tudo "É só por um tempinho, meu amor" explicava carinhosamente. Ela era leve, tinha perfeitos 46kg dos quais ele se orgulhava.
Sorriu para algumas pessoas no caminho, levou tapinhas nas costas e parabenizações, ninguém questionou o que ele carregava. Já havia uma considerável quantidade de gente na longa sala de aula que escolheram para a apresentação quando uma senhora de cabelos grisalhos, curtos, com mais rugas do que deveria ter aos 50 anos (estava fazendo pós-doutorado...) vestindo uma camiseta preta com desenhos florais que deixava seus bracinhos flácidos à mostra, uma calça preta social e sapatilhas pretas cobrindo apenas parcialmente uma meia calça bege, pegou o microfone, subiu no tablado e começou a falar.
Enquanto ela falava, ele milimetricamente planejava sua estratégia. Sentado na primeira cadeira de uma fileira com nove, tremia com o CD em mãos, mas então olhava para sua querida, ainda dentro do saco azul na cadeira ao lado e sorria. "Então agora, vou deixar o Igor falar, a vontade, Igor". Era sua deixa. Tirou-a delicadamente de lá de dentro e sussurrou em seu ouvido "Você nunca mais vai ter que ficar escondida assim, prometo". Segurou-lhe a mão e subiram juntos no tablado.
Ela estava radiante em um salto alto de 10 cm peep toe branco, que finalmente lhe deixava com mais de 1.70, e usava um vestido branco de chiffon até o joelho, quase sugestivo ao lado do terno preto que ele havia escolhido. No pescoço, um delicado colar de ouro branco com pingente em forma de infinito deveria representar o tempo em que ficariam juntos. Igor comprou-o na Vivara um ano antes, gastou uma fortuna.
Um fotógrafo contratado por ele registrava cada passo. Igor cumprimentou a senhora, que passou-lhe o microfone. Colocou o CD no computador, abriu o arquivo e apresentou seu trabalho de conclusão de curso em Design da USP: projetada sobre a superfície de uma boneca que pertencera à avó por parte materna, ali estava ela, sorrindo para todos; Yasmin, seu amor.
Sorriu para algumas pessoas no caminho, levou tapinhas nas costas e parabenizações, ninguém questionou o que ele carregava. Já havia uma considerável quantidade de gente na longa sala de aula que escolheram para a apresentação quando uma senhora de cabelos grisalhos, curtos, com mais rugas do que deveria ter aos 50 anos (estava fazendo pós-doutorado...) vestindo uma camiseta preta com desenhos florais que deixava seus bracinhos flácidos à mostra, uma calça preta social e sapatilhas pretas cobrindo apenas parcialmente uma meia calça bege, pegou o microfone, subiu no tablado e começou a falar.
Enquanto ela falava, ele milimetricamente planejava sua estratégia. Sentado na primeira cadeira de uma fileira com nove, tremia com o CD em mãos, mas então olhava para sua querida, ainda dentro do saco azul na cadeira ao lado e sorria. "Então agora, vou deixar o Igor falar, a vontade, Igor". Era sua deixa. Tirou-a delicadamente de lá de dentro e sussurrou em seu ouvido "Você nunca mais vai ter que ficar escondida assim, prometo". Segurou-lhe a mão e subiram juntos no tablado.
Ela estava radiante em um salto alto de 10 cm peep toe branco, que finalmente lhe deixava com mais de 1.70, e usava um vestido branco de chiffon até o joelho, quase sugestivo ao lado do terno preto que ele havia escolhido. No pescoço, um delicado colar de ouro branco com pingente em forma de infinito deveria representar o tempo em que ficariam juntos. Igor comprou-o na Vivara um ano antes, gastou uma fortuna.
Um fotógrafo contratado por ele registrava cada passo. Igor cumprimentou a senhora, que passou-lhe o microfone. Colocou o CD no computador, abriu o arquivo e apresentou seu trabalho de conclusão de curso em Design da USP: projetada sobre a superfície de uma boneca que pertencera à avó por parte materna, ali estava ela, sorrindo para todos; Yasmin, seu amor.
Yasmin - Parte 1
Seus olhos eram azuis, mas dependendo da luz ficavam verdes, ressaltados com bastante rímel preto nos cílios. O cabelo era longo e ondulado de um louro claro, terminava pouco depois do meio das costas e brilhava mesmo sem estar no sol. Dizem os homens (e algumas mulheres) que o corpo dela era lindo. Na verdade, linda era uma palavra que usavam muito para descrevê-la. Sua pele sempre possuía um leve bronzeado, suas sobrancelhas estavam sempre bem feitas, se adequando àquele rostinho redondo que a fazia parecer mais nova do que era.
As unhas não eram extravagantes, mas mantinham-se longas, fortes e sempre pintadas de alguma cor clara, como renda. Às vezes era comparada com Serena Van der Woodsen, a estrela de Gossip Girl. Pela aparência era justo, tirando o fato que ela era pequena, tinha apenas 163 cm.
Quem a via com a sua babylook mais justa sabia que ela estava isenta de qualquer gordurinha a mais. Alguns que já haviam visto ela sem roupa (não se sabe se viram ou inventaram) diziam que não tinha estrias e celulites, muito menos um pêlo onde não deveria. "Os seios eram ótimos". Sua pele parecia seda, cheirava a óleo de pitanga da Natura nos dias comuns, em seu aniversário usava perfume importado, da última vez foi J'adore.
Orgulhoso, o homem de 23 anos, cabelos crespos e barba feita às pressas, com olheiras debaixo dos olhos castanhos indicando alguém que não dormia direito há pelo menos três noites, carregou-a no colo naquela manhã de sexta-feira. Corria para dentro de seu Celta vermelho, tomando cuidado ao abrir a porta, até colocou o cinto de segurança para ela.
Ao entrar no carro, conferiu tudo. "CD Yasmin", perfume, hálito... não, precisava de um mentos. Era magro e estava desajeitado, nervoso. Vestia terno porque aquela era uma ocasião especial e nunca sabia o que vestir em dias assim. Dirigiu por meia hora vendo-a pelo retrovisor, conversava "Lembra quando nos conhecemos e eu nem dei bola pra você? Eu era um guri idiota"; seus olhos brilhavam e ela sorria em retorno, com dentes perfeitos e brancos.
Continua...
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Aranha - Parte 2
Cresceu. Nunca mais viu daquelas. Com o tempo, acabou esquecendo as aranhas e nem vários filmes "O Homem Aranha" faziam aquela adulta se lembrar da mania de infância. Quando alguém tentava recordá-la de seu inocente desejo de ser uma aranha, apenas ria, como se falassem de outra pessoa. Chegou até a matar uma daquelas pequenininhas de jardim, uma vez.
Um dia, sem ela saber, levaram uma aranha para a faculdade. A garota fazia arquitetura e urbanismo, estava no 3º ano, mas estudava com pessoas imaturas. Não entendeu, simplesmente levaram. Uma caranguejeira. Enorme, peluda, nunca tinha visto algo assim. Era do tamanho da palma da mão aberta de uma pessoa. Observava inquieta, apesar de tentar fingir indiferença. Depois guardaram e ela respirou aliviada.
Mas não acabou por aí. Enquanto ela se concentrava em suas anotações, tiraram a aranha de dentro do pote onde a guardavam e colocaram nas costas dela. Por que? Acharam engraçado. Sentiu algo sobre as costas, como dedos. Quando foi tocar para ver o que era, lhe ocorreram muitas coisas. De imediato, algo peludo e grande, caminhando lentamente com suas várias pernas grossas. Depois, o arrepio percorreu-lhe a espinha e subiu pelo corpo todo que tremia, apesar do esforço para ficar imóvel, o pânico ia lhe consumindo com uma voracidade que sentia-se mesmo a ser engolida viva. Não sabia o que fazer.
A turma ria maldosamente. Nenhum professor na sala, era intervalo. Alunos de outra turma passavam pela porta e paravam para ver a garota com a expressão facial desesperadora enquanto a aranha gigante caminhava alcançando seu ombro. Já sentia os pêlos diretamente em sua pele do pescoço. Coçava, pinicava, talvez doesse - ela não sabia definir.
Não aguentou pensar naquilo sobre seu rosto. Chorou. Chorou tanto, amaldiçoou a turma, todos os professores por não estarem presentes, as pessoas que olhavam sem fazer nada para ajudá-la. Amaldiçoou tudo, menos a aranha. "Essa, essa sim" pensou "é uma mãe vingando os filhos".
Um dia, sem ela saber, levaram uma aranha para a faculdade. A garota fazia arquitetura e urbanismo, estava no 3º ano, mas estudava com pessoas imaturas. Não entendeu, simplesmente levaram. Uma caranguejeira. Enorme, peluda, nunca tinha visto algo assim. Era do tamanho da palma da mão aberta de uma pessoa. Observava inquieta, apesar de tentar fingir indiferença. Depois guardaram e ela respirou aliviada.
Mas não acabou por aí. Enquanto ela se concentrava em suas anotações, tiraram a aranha de dentro do pote onde a guardavam e colocaram nas costas dela. Por que? Acharam engraçado. Sentiu algo sobre as costas, como dedos. Quando foi tocar para ver o que era, lhe ocorreram muitas coisas. De imediato, algo peludo e grande, caminhando lentamente com suas várias pernas grossas. Depois, o arrepio percorreu-lhe a espinha e subiu pelo corpo todo que tremia, apesar do esforço para ficar imóvel, o pânico ia lhe consumindo com uma voracidade que sentia-se mesmo a ser engolida viva. Não sabia o que fazer.
A turma ria maldosamente. Nenhum professor na sala, era intervalo. Alunos de outra turma passavam pela porta e paravam para ver a garota com a expressão facial desesperadora enquanto a aranha gigante caminhava alcançando seu ombro. Já sentia os pêlos diretamente em sua pele do pescoço. Coçava, pinicava, talvez doesse - ela não sabia definir.
Não aguentou pensar naquilo sobre seu rosto. Chorou. Chorou tanto, amaldiçoou a turma, todos os professores por não estarem presentes, as pessoas que olhavam sem fazer nada para ajudá-la. Amaldiçoou tudo, menos a aranha. "Essa, essa sim" pensou "é uma mãe vingando os filhos".
Aranha - Parte 1
Lembrava de quando era pequena, a primeira vez que viu. Uma bolinha pequena e marrom cheia de perninhas finas, imóvel como uma pedra no chão. Parecia algum brinquedo tão delicado...Como de costume para as crianças, ia pegar, quando sua mãe alertou-lhe tão séria como se brigasse "NÃO COLOCA A MÃO NELA É VENENOSA, MATA". Matava, aquela coisinha? Desconfiou da mãe e quis pegar mesmo assim, aquela moça cheia de perninhas. Esticou o braço e foi imediatamente interrompida pela mãe, que deu-lhe um tapa na mão e a levou pro "Cantinho do Castigo".
Um tempo depois, viu o pai pisando em uma igualzinha. Pisou, apertou e quando tirou o pé ela dançava. Ficou olhando maravilhada aquele corpinho amassado se mexer, mas não se aproximou: a mãe estava em casa.
Foi no aniversário de uma amiga que estabeleceram o primeiro contato. Era uma casa antiga e grande, difícil de manter a limpeza em dia. No teto da casa, as teias e elas lá, penduradas com pernilongos e algum bicho desconhecido. Pareciam tão macias, as teias.
Naquele momento quis ser também uma delas, cheia de perninhas, enrolada naquilo que parecia um algodão, tão fofo como uma nuvem, olhando tudo e todos despreocupadamente do teto.
Até que viu uma delas atacar alguém. Grande, preta, com pernas bem mais longas. Não era daquelas pequenas, delicadas. Pulou sem aviso sob um menino da festa, sabe-se lá vinda de onde. O menino gritou de dor.
Os adultos correram para ajudá-lo e mataram-na com pisadas violentas. "Uma aranha mordeu ele" "Meu Deus" "Tem que levar pro hospital". Aranha, era o nome dela. A menina achava que era a mãe das pequenininhas vindo se vingar pela morte das filhas, mas acabou ferindo um inocente e depois sendo pisada. Não dançava no chão porque se tornara uma pasta indefinida. Mesmo assim, passou a ter medo das mães e a festa em que estava acabou.
terça-feira, 21 de junho de 2011
Contradição
Adorava aventuras,
mas tinha medo até de montanha russa.
Gostava de esportes,
por isso jogava wii.
Pregava a bíblia,
da boca pra fora.
Prezava pela alimentação saudável,
junto com o macarrão e a carne de churrasco, sempre vinha uma folha de alface ou um pedacinho de cenoura como acompanhamento.
Odiava falsidade,
mas falava mal dos amigos.
Amava aquele garoto,
e chutou-o o saco.
mas tinha medo até de montanha russa.
Gostava de esportes,
por isso jogava wii.
Pregava a bíblia,
da boca pra fora.
Prezava pela alimentação saudável,
junto com o macarrão e a carne de churrasco, sempre vinha uma folha de alface ou um pedacinho de cenoura como acompanhamento.
Odiava falsidade,
mas falava mal dos amigos.
Amava aquele garoto,
e chutou-o o saco.
domingo, 19 de junho de 2011
Dia de criança

Bateu o sinal e a gente foi pro recreio. Tava com o PSP que ganhei de aniversário e não queria ninguem em cima dele, aí me escondi. Aí veio a Maria que é fofoquera me viu e falo pra tia que eu tava escondido achô que eu tava fazendo coisa errada.
Aí a tia veio pergunta o que eu tava fazendo e eu falei jogando e ela pediu pra vê e eu mostrei aí ela foi embora. A Maria fico brava porque eu não fui pra sala da Bruxa (assim que agente chama) e foi vê o que eu tava fazendo eu escondi meu jogo no bolso e falei que não tava fazendo nada só comi lanche e ela não acredito mas aí bateu o sinal de novo e eu voltei pra sala.
Na aula foi dificil tinha matemática e a gente aprendeu fração foi com barra de chocolate ai depois agente comeu tudo tava bom. Depois teve ciências e a gente viu fotossíntese que é quando a planta respira com o sol.
Aí cheguei em casa e minha irmã mais nova pediu pra comê no Mc Donalds pediu um Mc Lanche Feliz porque vem com bichinhos do kung fu panda 2 e depois eu tinha lição de casa de matemática e joguei PSP e vi tevê.
Obs: Não achei nenhuma imagem de criança do jeito que eu queria, então foi qualquer uma.
sábado, 18 de junho de 2011
Subversão

Considerava-se flexível. Quando pequena, queria brincar de morto vivo, polícia e ladrão, mas as amigas queriam pular corda e brincar com barbies. Cedia. Depois de terminar a educação infantil, sua melhor amiga mudou de colégio e ela queria ir junto. A professora disse "você vai fazer novas melhores amigas". Cedeu e nunca mais soube da amiga: só lembrava o primeiro nome, Michele.
No ensino médio, adorava turismo e pensava em levar a carreira a sério. Seu pai lhe fez reconsiderar, engenharia ambiental seria uma carreira melhor, com progresso. Estava certo, ela tinha que pensar a longo prazo mesmo. Não gostava do curso, mas se formou.
Foi difícil arranjar emprego. Nunca foi a primeira da turma, justamente pela falta de afinidade com o curso; fez alguns estágios nas férias, pelas atividades complementares obrigatórias, mas nada de que tenha aproveitado muito. Por influência de um tio que morava no exterior, conseguiu um emprego na França. Não queria se mudar, amava seu país, mas seria uma boa oportunidade, um bom salário. Mudou-se. Não gostava do clima na França, mas se convenceu de que com o tempo acabaria se acostumando. Trabalhou e se especializou lá mesmo.
Um dia, porém, ouviu uma conversa sobre constituir família e filhos e ficou transtornada. Nunca havia pensado a respeito, "Quem vai escolher o meu marido? E se os filhos não tiverem os olhos que ele desejar?". Nunca havia pensado por si, realizado suas vontades. Não sabia nem se tinha vontades. Naquele momento percebeu uma coisa: passou a vida subvertendo a si mesma.
terça-feira, 7 de junho de 2011
Maquiagem

Pois é gente, como toda mulher vaidosa eu vou falar sobre maquiagem nesse post. Acho que já está batido dizer como usar, cores e essas coisas, não é? Por isso, hoje vocês vão ver uma abordagem totalmente inovadora (ok, alguém já deve ter escrito, mas eu nunca vi): porque homens HETEROSSEXUAIS precisam entender de maquiagem. Isso mesmo caras, porque vocês precisam.
Começa assim, você acha a mulher/menina bonita, linda, gostosa... aí depende. Ok, depois de olhar do pescoço pra baixo você vai olhar do pescoço pra cima (porque, convenhamos, quem só olha o corpo tá desesperado). Elas podem ser lindas, mas algo vem junto com 99% delas. Se você pensou "as roupas" esse post é pra você: estou falando da maquiagem. Com base nela você pode concluir muitas coisas sobre uma garota, por exemplo:
Ela pode ser gordurosa se usar... pó: não é de cheirar, então nem tente. Serve para tirar o brilho de oleosidade da pele. Sim, a gata pode ter o rosto brilhante de óleo. Quando usa demais dá pra ver aquele pó em cima da pele, irg. Mas as que usam pouquinho não tem muito problema, pode ser pra uma festa ou balada, por exemplo.
Ela pode ser sem noção se usar... sombra: Vou te contar uma novidade - sabe aquela mulher que tem a pálpebra colorida? Então, aquilo não é natural, que coisa não? Serve para destacar os olhos e é muito usada... adivinhem? Em festas e baladas. Durante a noite tudo bem, mas aquela sombra SUPER azul ou verde durante o dia é estranho né. Também mostra a personalidade das garotas - góticas costumam usar sombra preta e as coloridas (ou new emo, dependendo da nomenclatura) adoram sombras neon e combinar várias cores, laranja, amarelo, rosa, azul e tal.
Vou contar algo pra vocês: nunca escrevi um post direcionado pra homens. Como pode, né? Mas hoje tentei e queria receber um retorno. Se tiver ficado legal eu posto a segunda parte (sim, mulheres não usam só sombra e pó), senão termino minha experiência por aqui mesmo...
sábado, 28 de maio de 2011
Geografia

Gosto de montanhas e crateras. Posso ser volúvel, hora como o mar, hora como um vulcão. Sei ser confusa como um fuso horário, indo para todas as direções como uma rosa dos ventos.
Às vezes estou próxima de uma pessoa mas estamos separadas como dois continentes; o contrário também acontece. Também sofro processos de lixiviação: choro e arranco do meu coração tudo que há na superfície dele. Posso ser misteriosa como um pântano. Meus amigos são tão variados como a flora do Pantanal. Em certas situações sou fria como o clima polar, mas não gosto, prefiro o calor tropical.
Ando perto da linha do Equador, apesar de ter alguns desvios, como qualquer um. Sofro intemperismos e às vezes algum abalo sísmico, mas continuo aqui, viva.
Sabe o que quero dizer? Sou uma pessoa e quero abraçar o mundo.
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Terror psicológico
Começou assim: aula chata. Era daquelas em que se olha no relógio a cada 25 minutos e descobre que, na verdade, se passaram apenas 3. Maria ia ler um livro que deixara na bolsa enquanto a professora discorria sobre coisas que ela já sabia - quando o monitor do bloco abruptamente abriu a porta da sala.
- Maria?
Era a única Maria da sala e todos olharam para ela. Isso porque ninguém havia aberto a porta daquela forma. Sequer haviam aberto, pelo menos para chamar por alguém.
- Eu. - disse timidamente.
- Qual é seu sobrenome?
- Marquês Lima.
- É você mesma, é pra ligar pra sua mãe.
Começaram comentários bobos, mas ela não quis escutar. Seus pais jamais haviam ligado atrás dela durante a aula, ainda mais dessa forma. Foi para o lado de fora da sala e ligou. Secretária eletrônica.
O monitor estava falando que haviam chamado da cordenação, dizendo que ela deveria ligar para a mãe. Tentou de novo. Secretária mais uma vez. O desespero começou a tomar conta "Onde estava minha mãe?" "Aconteceu alguma coisa?" "Ela está bem?".
Mas se haviam pedido da cordenação para entrar em contato, era sinal que seu pai havia ido até lá, pois estava sem celular. E se era pra ligar para a mãe, sinal que ele não a encontrava. Mas como não? Ela sempre fica no carro.
Tentou ligar de novo. Mesma coisa. O desespero aumentava. Mas onde minha mãe poderia estar? Ela nunca sai do carro. Ela sempre fica no carro. Desceu as escadas rápido e no caminho resolveu correr. Olhou na reitoria e não havia ninguém, então continuou correndo, dessa vez para o carro.
Justo Maria, que sempre odiou educação física e tinha o mesmo preparo que uma lesma para corridas, teve que encarar a subida do estacionamento. Encarou ainda correndo.
Quando viu seus pais dentro do carro, seu pensamento mudou de foco: "E se ela mandou ligar porque acabou a bateria do celular, por que aconteceu alguma coisa com a vó?". Provável, sua avó sofria de Alzheimer e a idade lhe trazia os típicos problemas de pressão alta.
Chegou com dor, as pernas estavam desacostumadas de correr, os pulmões e o coração também. Sentia-se muito mais velha do que era e mal conseguia respirar. Tremia pelo corpo inteiro de nervosismo de tudo que imaginou ter acontecido. Apoiou-se no carro, desnorteada.
- Oi, cadê tua bolsa? - a mãe disse, notando que havia algo errado.
- O que que aconteceu? - Maria perguntou desesperada.
- Como assim? - o pai perguntou.
- Passaram o rádio lá na minha sala, o segurança veio falar que era pra ligar pra minha mãe, eu ligava, ligava, e só caía na secretária...
- O celular tá sem bateria filha - a mãe esclareceu.
Nesse momento ela estremeceu. Então havia mesmo algo errado.
- Aconteceu alguma coisa?
- Ninguém passou rádio, Maria. - esclareceu o pai.
- Disseram que tinham pedido da cordenação, falaram meu nome e sobrenome, não tinha como ter confundido, eu fiquei tão preocupada, e vocês não atendiam o celular
- Tava sem bateria filha - a mãe ressaltou, tentando acalmá-la.
- Falaram meu nome e sobrenome, Maria Marquês Lima, não tem como confundir, não se confunde um nome inteiro assim...
O pai, percebendo a situação, saiu do carro e disse que iria com ela para ver o que acontecia. De qualquer forma Maria precisava voltar para a sala buscar suas coisas, mas agora outro pensamento lhe passava pela cabeça "Quem sabia meu nome inteiro? E por que queriam que eu ligasse pra minha mãe? Vão fazer alguma coisa? É alguém que me conhece?" Pensou no livro que estava lendo, "Notícias de um sequestro" e passava-lhe pela cabeça que poderia ser uma tentativa de sequestro, mais rápido do que ela era capaz de repelir a mesma ideia.
Vasculhou os corredores dos dois primeiros andares antes de ver o mesmo monitor caminhando no último andar. Tentou acompanhá-lo e o encontrou no final do corredor esquerdo. Seu pai a seguia e foi quem falou com ele, perguntando de onde havia vindo a ordem para chamar Maria.
- Mas foi Maria Marquês Lima?
- O senhor quem é? - o monitor perguntou, ríspido.
- Sou o pai dela.
- Foi sim, Maria Marquês Lima, disseram lá da cordenação, você conseguiu falar com a sua mãe?
- Conseguiu porque ela foi pessoalmente, mas a mãe dela e eu não chamamos ela não.
- Mas chamaram sim, Maria Marquês Lima.
Nesse momento, Maria percebeu duas coisas. Primeiro, que estava quase que completamente incapacitada de falar. Segundo, que estava esquecendo seus pertences à toda hora enquanto pensava quem e porque teria anunciado seu nome dessa forma.
Entrou abruptamente na sala, pegou suas coisas e saiu. Mal ou sequer respondeu quem lhe perguntava o que havia acontecido. Não pensava direito.
Foram para o prédio da cordenação e conversaram com a mulher que fez a chamada. Era uma moça jovem e simpática e logo esclareceu o mal entendido.
- Não, eu disse Maria da Glória, repeti duas vezes ainda.
- Mas eu entendi Maria Marquês.
- Não, é Maria da Glória, ela faz dependência e o nome da mãe é Cláudia, o nome da sua mãe é Cláudia?
- Não, é Angélica.
O monitor ainda quis discutir com a secretária a respeito disso. Maria já nem pensava, estava quase caindo de alívio misturado com raiva. Ela sentiu tudo aquilo a toa. Foi embora recebendo desculpas que não acatou. Foi tudo um terror psicológico.
- Maria?
Era a única Maria da sala e todos olharam para ela. Isso porque ninguém havia aberto a porta daquela forma. Sequer haviam aberto, pelo menos para chamar por alguém.
- Eu. - disse timidamente.
- Qual é seu sobrenome?
- Marquês Lima.
- É você mesma, é pra ligar pra sua mãe.
Começaram comentários bobos, mas ela não quis escutar. Seus pais jamais haviam ligado atrás dela durante a aula, ainda mais dessa forma. Foi para o lado de fora da sala e ligou. Secretária eletrônica.
O monitor estava falando que haviam chamado da cordenação, dizendo que ela deveria ligar para a mãe. Tentou de novo. Secretária mais uma vez. O desespero começou a tomar conta "Onde estava minha mãe?" "Aconteceu alguma coisa?" "Ela está bem?".
Mas se haviam pedido da cordenação para entrar em contato, era sinal que seu pai havia ido até lá, pois estava sem celular. E se era pra ligar para a mãe, sinal que ele não a encontrava. Mas como não? Ela sempre fica no carro.
Tentou ligar de novo. Mesma coisa. O desespero aumentava. Mas onde minha mãe poderia estar? Ela nunca sai do carro. Ela sempre fica no carro. Desceu as escadas rápido e no caminho resolveu correr. Olhou na reitoria e não havia ninguém, então continuou correndo, dessa vez para o carro.
Justo Maria, que sempre odiou educação física e tinha o mesmo preparo que uma lesma para corridas, teve que encarar a subida do estacionamento. Encarou ainda correndo.
Quando viu seus pais dentro do carro, seu pensamento mudou de foco: "E se ela mandou ligar porque acabou a bateria do celular, por que aconteceu alguma coisa com a vó?". Provável, sua avó sofria de Alzheimer e a idade lhe trazia os típicos problemas de pressão alta.
Chegou com dor, as pernas estavam desacostumadas de correr, os pulmões e o coração também. Sentia-se muito mais velha do que era e mal conseguia respirar. Tremia pelo corpo inteiro de nervosismo de tudo que imaginou ter acontecido. Apoiou-se no carro, desnorteada.
- Oi, cadê tua bolsa? - a mãe disse, notando que havia algo errado.
- O que que aconteceu? - Maria perguntou desesperada.
- Como assim? - o pai perguntou.
- Passaram o rádio lá na minha sala, o segurança veio falar que era pra ligar pra minha mãe, eu ligava, ligava, e só caía na secretária...
- O celular tá sem bateria filha - a mãe esclareceu.
Nesse momento ela estremeceu. Então havia mesmo algo errado.
- Aconteceu alguma coisa?
- Ninguém passou rádio, Maria. - esclareceu o pai.
- Disseram que tinham pedido da cordenação, falaram meu nome e sobrenome, não tinha como ter confundido, eu fiquei tão preocupada, e vocês não atendiam o celular
- Tava sem bateria filha - a mãe ressaltou, tentando acalmá-la.
- Falaram meu nome e sobrenome, Maria Marquês Lima, não tem como confundir, não se confunde um nome inteiro assim...
O pai, percebendo a situação, saiu do carro e disse que iria com ela para ver o que acontecia. De qualquer forma Maria precisava voltar para a sala buscar suas coisas, mas agora outro pensamento lhe passava pela cabeça "Quem sabia meu nome inteiro? E por que queriam que eu ligasse pra minha mãe? Vão fazer alguma coisa? É alguém que me conhece?" Pensou no livro que estava lendo, "Notícias de um sequestro" e passava-lhe pela cabeça que poderia ser uma tentativa de sequestro, mais rápido do que ela era capaz de repelir a mesma ideia.
Vasculhou os corredores dos dois primeiros andares antes de ver o mesmo monitor caminhando no último andar. Tentou acompanhá-lo e o encontrou no final do corredor esquerdo. Seu pai a seguia e foi quem falou com ele, perguntando de onde havia vindo a ordem para chamar Maria.
- Mas foi Maria Marquês Lima?
- O senhor quem é? - o monitor perguntou, ríspido.
- Sou o pai dela.
- Foi sim, Maria Marquês Lima, disseram lá da cordenação, você conseguiu falar com a sua mãe?
- Conseguiu porque ela foi pessoalmente, mas a mãe dela e eu não chamamos ela não.
- Mas chamaram sim, Maria Marquês Lima.
Nesse momento, Maria percebeu duas coisas. Primeiro, que estava quase que completamente incapacitada de falar. Segundo, que estava esquecendo seus pertences à toda hora enquanto pensava quem e porque teria anunciado seu nome dessa forma.
Entrou abruptamente na sala, pegou suas coisas e saiu. Mal ou sequer respondeu quem lhe perguntava o que havia acontecido. Não pensava direito.
Foram para o prédio da cordenação e conversaram com a mulher que fez a chamada. Era uma moça jovem e simpática e logo esclareceu o mal entendido.
- Não, eu disse Maria da Glória, repeti duas vezes ainda.
- Mas eu entendi Maria Marquês.
- Não, é Maria da Glória, ela faz dependência e o nome da mãe é Cláudia, o nome da sua mãe é Cláudia?
- Não, é Angélica.
O monitor ainda quis discutir com a secretária a respeito disso. Maria já nem pensava, estava quase caindo de alívio misturado com raiva. Ela sentiu tudo aquilo a toa. Foi embora recebendo desculpas que não acatou. Foi tudo um terror psicológico.
segunda-feira, 16 de maio de 2011
Nunca vi um filme búlgaro
Já ouvi músicas norte-americanas, mais do que as brasileiras. O último filme que vi era dos EUA e os outros quatro últimos também. Mas nunca vi um filme indiano. Já vi sim, filmes que se passam na Índia, etc.
Nunca assisti séries australianas. Quais as 10 bandas que mais fizeram sucesso na China? Não sei também, não conheço nenhuma. E vocês têm lido muitos livros de escritores tailandêses? E aquela novela que faz muito sucesso Eslovênia? Eles têm novelas?
Sabia que Laos é um país? É, asiático.
Vivo num Brasil que é monocultural.
Nunca assisti séries australianas. Quais as 10 bandas que mais fizeram sucesso na China? Não sei também, não conheço nenhuma. E vocês têm lido muitos livros de escritores tailandêses? E aquela novela que faz muito sucesso Eslovênia? Eles têm novelas?
Sabia que Laos é um país? É, asiático.
Vivo num Brasil que é monocultural.
sábado, 14 de maio de 2011
Maldade feminina
L: Hoje vi uma velha... nem tinha cabelo branco ainda, mas cheia de rugas, o rosto super flácido, parecia até que derreteram borracha e virou a cara dela, sabe? A-CA-BA-DA!
Mas amiga... você não sabe a melhor parte, parecia a Izabella! Quando eu vi imaginei ela daquele jeito, nossa, quase infartei rindo! E imagine, do jeito que ela é toda "mimimi", quando ficar daquele jeito, ai nossa, me senti até realizada, bem que podia acontecer logo né?
B: Amiga, você não presta mesmo!
B: Guria, você não sabe quem me ligou hoje, a L!
T: Jura que aquilo ainda fala com você?
B: Fazer o que, é sapata, me aaaama!
T: hahahaha, ela ainda veste aquelas calças camufladas?
B: Mas deixa eu te contar que ela ando falando da Izabella de novo...
T: Ah meu Deus, conta.
B: disse que viu uma velha com a cara parecendo borracha derretida e imaginou ela velha!
T: Hahahaha, que louca. Então amiga, tenho que desligar, vai começar Pretty Little Liars e eu quero ver, disseram na Capricho que o Lucas vai trazer o Caleb de volta, acredita??
B: nossa, que babado! Nem vejo mais, Hellcats é bem melhor!
T: To indo! Xoxo
DIRECT MESSAGE
t144 Tatiane Amaral
@izza Perua, a B me ligou! Lembra que ela deu pro H. semana passada? Me ligou toda alegrinha, acho que deu pra outro, uma putaaaaa
izza Izabella Domanowski
@t114 Puta é esperta, ganha dinheiro com isso, ela é biscate e bem burra!
Quem aí nunca viu um caso de maldade feminina? :)
sexta-feira, 13 de maio de 2011
Romance

Era noite, escura e limpa. O céu livre de nuvens era exposição das radiantes estrelas. O calor de primavera, a brisa e as flores eram convidativos ao romance.
Ela havia passado um dia maravilhoso com o namorado. Eles eram como menino e menina, carregavam a inocência do primeiro amor; o tipo de delicadeza que faria qualquer pessoa mais velha sorrir ao lembrar-se de antigos romances.
Acenava para ele pelas grades do portão, levemente abobalhada (como qualquer jovem que é verdadeiramente apaixonada). Já pensava em quando se encontrariam de novo, talvez até já sentisse saudades.
Ele prestava atenção pelos retrovisores - apesar de saber que a rua sempre estava vazia à noite - e mesmo assim encontrava um tempo para acenar de novo olhando para ela. Eles se amavam.
O fiat uno 2010 que ele dirigia era amarelo. Ela achava a cor engraçada, mas era nisso que se prendia enquanto o observava se afastar. A três quadras de distância, ele também já sentia saudades: queria voltar e abraçá-la, talvez propor que fugissem juntos para qualquer lugar, ao mesmo tempo em que refletia se ela o acharia estúpido caso o fizesse. Pensava sobre isso quando um Jeep Cherokee preto, vindo justamente em sua lateral, acertou-o em cheio. Seu carro ainda foi arrastado por 3 metros, então girou até ser acertado contra um poste, quando parou. O garoto já estava morto.
A garota ainda demorou um pouco para entrar em casa, pensando se ele chegaria bem. Já sentia saudades.
Cachorro morto
Voltando para casa de carro com meus pais vimos, no canto da rua, quase à calçada, um cachorro morto: atropelaram-no.
Ficaram por alguns instantes conversando sobre isso "Tadinho do cachorro", minha mãe murmurava enquanto meu pai discorria sobre a falta de atenção dos motoristas e o abandono dos animais.
Durou uns cinco minutos no máximo, depois passaram a falar sobre uma feira de móveis e decoração.
Ficaram por alguns instantes conversando sobre isso "Tadinho do cachorro", minha mãe murmurava enquanto meu pai discorria sobre a falta de atenção dos motoristas e o abandono dos animais.
Durou uns cinco minutos no máximo, depois passaram a falar sobre uma feira de móveis e decoração.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Fã

Existem vários tipos de fãs, cada um vê certas atitudes como obrigatórias pra poder "deixar" alguém gostar de determinados artistas; quem não passar no teste é poser. Vamos ver alguns tipos de fãs?
Fã Wikipédia: É o mais comum. Não aceita como fã quem não souber tudo sobre o ídolo - tudo mesmo. Os quiz mais demoníacos que você vê sobre artistas foram feitos por eles.Fã "Tatuagem": Acha que, pra ser fã, precisa ter tatuagem do ídolo.
Fã Pré adolescente: não faz nada, só grita. Costuma carregar cartazes como "pega eu" ou "casa comigo".
Fã old school: É fã desde o começo da carreira e não aceita quem é a menos tempo. Gosta de se vangloriar por isso e só canta músicas que não foram singles. Alguns também guardam notas fiscais, só pra dizer que compraram primeiro.
Fã colecionador: para mostrar que é fã, precisa ter tudo do artista. Desde Cds, DVDs e revistas até bottons, camisetas, biografias não autorizadas, canetas, apontadores, mochilas, etc. E para comprovar, tira foto com tudo, ou de tudo.Fã "cosplay": Veste-se como o ídolo. Compra na mesma loja ou manda fazer tudo. Também copia cabelos, maquiagem, piercings, dentre outros. Alguns ainda arriscam cantar ou tocar o mesmo instrumento musical do artista. O maior elogio para esse tipo de fã é dizer que ele parece com seu ídolo.
Fã presente: Acompanha todos os jogos de futebol. Alguns fãs de bandas viajam "junto" com a turnê para ver os shows. O importante é a presença.Eu acho que ser fã é sentimento, algo maior do que a quantidade de informações que você armazena sobre a pessoa ou o tempo que você gosta. Não dá pra avaliar. Principalmente na música, quantos fãs dos Beatles surgiram depois que a banda acabou? E são fãs.
E vocês, conhecem ou são um desses tipos de fã? O que é ser fã pra vocês? São fãs de alguém? :)
Tragédia
domingo, 8 de maio de 2011
Livro
Livro é uma história que alguém contou e a gente lê. É uma nova história que criamos enquanto lemos o que outra pessoa escreveu, é experiência que não vivemos, mas temos, só por pensarmos.Livro é aquele enorme que nos assusta, mas depois não queremos largar e ficamos tristes quando termina. É aquela série que lemos antes do autor terminar de publicar, aí ficamos desesperados aguardando a continuação.
Livro é ansiedade, cumplicidade com personagens que nem existem, mas refletem algo de nós que os torna reais.Livro é o que muita gente esquece: preferem o twitter.
E vocês, gostam de ler? Qual foi o último livro que terminaram? O que acharam dele? :)
Estudar

Não estou mais no jardim de infância onde meus trabalhos eram desenhos e meus exercícios de prova eram mostrar que sei escrever "JACARÉ" assim, com letra de forma.
Cresci. No ensino médio tinha mais provas, mais exercícios, tanto conteúdo. Às vezes eu cansava e não queria estudar, depois ia mal e precisava gastar o dobro do tempo, perdia duas semanas de férias em recuperação final. Por ter me dado ao luxo de ficar cansada. E o fantasma do vestibular...
Finalmente, cheguei em uma universidade. Me esforcei: li muito, estudei, anotei tudo nas aulas, não saí à noite nenhuma vez. Nem sempre minhas notas corresponderam ao meu esforço.
Não desisto. Faço o curso que quero, com matérias que eu gosto e não me abalo por gastar um tempo a mais. Quando estou cansada penso nisso. E é o que importa.
segunda-feira, 25 de abril de 2011
Amiga falsa
Tive uma amiga falsa. Na verdade, tive várias, mas quero falar dessa em especial.Um dia, cansei dessa amiga falsa. Escrevi pra ela no MSN tudo que ela fingia, tudo que me incomodava porque eu sabia, porque não enganava ninguém.
Tive uma amiga falsa. Eu explodiria de raiva se falasse diretamente com ela: isso porque eu nem sempre soube que era falsa, ela já foi quase um exemplo pra mim, meu ombro amigo, minha parceira. Não foi, fingiu. Também não me arrependo de nada que eu disse, nem de ter cortado todas as relações que tinha com ela.
Ontem mencionaram o nome dela e doeu em mim. Isso porque podemos falar tudo e mesmo assim nada apaga da memória quando alguém toma uma importância enorme em nossas vidas e depois nos magoa profundamente.
A verdade é que a excluí sem perdoá-la.
E vocês, já tiveram amigas falsas?
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Coração
Nos detestávamos desde a infância, por sermos tão diferentes. Para começar, enquanto eu ainda era criança, ela já era pré-adolescente, tinha preocupações que eu não entendia: beleza, fofocas, garotos. Adorava intrigas, chamar atenção; eu sempre fiquei na minha.Nos detestávamos desde a infância, por sermos tão parecidas. Como que aqueles cabelos escuros e enrolados, os olhos castanhos tão escuros que quase não dava pra ver a pupila, a pele branca e as feições poderiam ser tão semelhantes em duas pessoas com almas tão diferentes?
Estudamos por 10 anos no mesmo colégio, fomos da mesma sala uma única vez, mas nunca fomos amigas, nem conversamos direito. Nos detestávamos por sermos tão diferentes: uma jamais sucumbiria aos interesses da outra, a aproximação seria impossível, como amizade de gato e rato.
Mesmo assim, um dia, solidarizei com ela. Quando eu era adolescente, ela já era adulta. Mas tinha algo diferente, ela estava com coração partido. Nesse dia eu descobri duas coisas: primeiro, que ela tinha coração. Segundo, que era coração de menina.
Não lhe disse nada, apenas guardei seu segredo comigo. Também não deixamos de nos detestar, aquilo já era nosso. Mas eu percebi que não importa os desafetos que temos com as pessoas, elas continuam sendo pessoas. Naquele dia, tornei-me adulta também.
quarta-feira, 13 de abril de 2011
Nunca fui

Nunca fui a menina mais popular, ou a mais bonita. Nunca fui cheia de amigos. Não me sujei em poças de lama. Sempre fui a quieta, a estranha. Já tentei ser normal. Não, não.
Ninguém é normal: quem é, passou por um grave processo para se desfazer de si mesmo. Não, não.
Prefiro ser a quieta, a estranha mesmo. Eu sei que custa me chamarem de metida e antipática, mas não importa. Pelo menos sou eu, não uma invenção feita pra agradar.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Fofocas

Começou quando eu estava na 5ª série e vieram me dizer que uma menina - com quem eu nem falava, só conhecia de vista - "ficou" com um outro garoto, que eu nunca tinha ouvido falar. Primeiro que, com 11 anos, eu nem sabia o que era ficar. Segundo: o que eu tinha a ver com a vida dela?
Depois eu descobri o que era. Não foi na prática, ainda demorou um pouco. Um beijo. Tudo bem, ela beijou com 11 anos, normal. Um pouco antes de descobrir o significado de "ficar", soube quem era o garoto. Um que as meninas achavam bonito, o estereótipo de um idiota. Eles combinavam quanto às duas coisas. Mas a resposta pra última pergunta eu não encontrei: o que eu tinha ver com a vida dela?
Não tinha, nunca tive. Mas eu estava na vida dela. Estava, porque nunca conversamos, mas ela falava mal de mim. Dizia mil coisas, da minha aparência, personalidade, das minhas companhias. Como ela sabia tanto e não sabia nada? Me julgava. E falava de mim. O que ela tinha a ver com a minha vida?
Às vezes parece que as pessoas se movem por detalhes supérfluos da vida dos outros e não se sentem realizadas enquanto não os reduzem a nada. Enquanto não os convencem de que são menos que nada. E quando o fazem, não se sentem satisfeitas mesmo assim: sua frustração é o que recomeça o ciclo. É assim que as pessoas se destroem, como um ciclo da vida.Mas a gente tinha 11 anos. Deveríamos ser crianças, ou pré adolescentes. E mesmo assim já nos destruíamos. Hoje tenho 18 anos, em que pé estou?
quarta-feira, 6 de abril de 2011
Palavras estranhas

O português tem tantas palavras que eu não canso de me deparar com umas realmente engraçadas, outras bizarras! Algumas quase ninguém deve conhecer, outras até que bastante gente conhecia, o que me surpreendeu. Penso nas situações constrangedoras que devem causar pra quem não sabe o significado, vamos ver algumas?
Entre o oficial e o pai do filho desaparecido:
- Senhor, encontramos seu filho incólume na valeta noite passada.
- Eu sabia! A desgraça aflige minha família, minha vida, está tudo destruído, meu único filho...
- Significa que ele está são e salvo, senhor.
- Ah sim, amém, Deus sempre foi tão piedoso comigo, com todos os meus entes queridos...
Namorado para o pai da namorada:
- O senhor daria seu beneplácito para que eu me case com sua filha?
- Eu sabia! Esse interesseiro ladrão sempre quis meus pertences, tá querendo meus órgãos, pra eu morrer e ficar com tudo que tenho, até minha filha! Cachorro! Safado!
- Pai, beneplácito quer dizer consentimento, você só me constrange! - Diz a filha, envergonhada.
- Você quer me punir casando com um idiota que fala desse jeito.
O que mais?- Ele estava com uma belicosidade animal! (agressividade)
- Essa é minha versão burilada da história! (aperfeiçoada)
- Não é azo de usar essa roupa. (ocasião)
- Você está me abespinhando. (irritando)
- Mas isso é um verdadeiro alfarrábio! (livro antigo)
E você, conhece alguma palavra estranha? Como ficou sabendo dela? Você conhecia alguma das palavras usadas nesse post?
Salto Alto
Ouvi falar na ideologia do salto alto, alguém aí conhece? Vem daquelas frases como "mulher faz o mesmo que o homem, mas de salto alto" ou "humilho sem descer do salto alto". Significa um poder feminino. Pra algumas mulheres, usar salto alto a torna outra pessoa, alguém superior, com super poderes, capaz de fazer e falar tudo, além de super sensual. Chega a ser até engraçado falando assim, né?Eu tenho um salto 11 cm. Quando eu o coloco, fico com 178 cm. Também fico a mesma pessoa de sempre. Uso porque é um salto lindo. Também uso porque meu namorado é muito alto. Nunca me senti melhor do que ninguém, "maior" do que os outros.
E vocês meninas, usam salto alto? Quando usam, como se sentem? Vocês acreditam nessa ideologia do salto alto?
terça-feira, 5 de abril de 2011
Vintage
Tenho mania de vintage. Apesar dos dicionários mais formais definirem que "vintage" só se aplica à moda (e nem toda moda, só partes específicas), quero usar vintage como gíria. Tenho mania de gostar de coisas antigas, trazê-las de volta.Talvez tenha essa mania porque estou ficando velha. Acontece porque anos atrás eu chegava perto dos 15 anos, depois perto dos 18, ano que vem farei 20. Ou talvez eu saiba valorizar clássicos. Não sei, é uma mania nova. Mas é uma mania nova de vintage.
Gosto de filmes da Marilyn Monroe e da Audrey Hepburn. Escuto pop dos anos 80 e 90 (mas não ignoro os de 2000 nem os da década de 10). Adoro pin up. Acho um charme cabelos curtos e volumosos, amo as maquiagens dos anos 50. Escrevo cartas de verdade e as envio em papéis de carta.Mas não é só esse meu vintage. Trago o antigo de mim a todo tempo. Minhas memórias, meu jeito, meus sentimentos. Sinto e lembro de novo. Vivo de novo. Tenho mania de vintage.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Imperfeita
Não sou a melhor pessoa do mundo. Tenho mil defeitos e manias insuportáveis. Custo até aprender com minhas falhas e também para admiti-las. Magoo pessoas que amo e deixo impune as que mereciam. Erro ao escolher em quem confiar. Insisto em pensar no que poderia ter sido ao invés de viver o presente. Expresso minhas emoções errado.Poucos querem me entender, menos ainda o conseguem. Não sou interessante. Não tenho histórias pra contar, nem sorrio fácil.
Mas também não sou a pior pessoa do mundo: nunca matei alguém.
sábado, 12 de março de 2011
Príncipe encantado

Príncipe encantado é algo com que mulheres E HOMENS sonham, ao menos uma vez na vida, mas muitos o carregam pela vida toda em segredo. Não é um homem da realeza em um cavalo branco, apesar dos contos de fadas apresentá-lo sempre assim. É simplesmente uma pessoa ideal, quem você acredita que seja sua "metade".
Aquele par que entende seu humor, compreende suas necessidades sem você precisar dizer uma palavra. Alguém que sabe te surpreender e te encantar a cada dia, do jeito que for, do seu jeito.
Todo mundo têm um príncipe encantado. Ele muda ao longo do tempo, cresce com você, se adapta aos seus desejos. Às vezes ele permanece igual, como uma saudade, quase uma relíquia em seus sonhos, para remeter algum trecho de seu passado.Às vezes o príncipe encantado nem é uma pessoa: é um lugar. Aquilo que lhe transmite paz. Depende de você. Pode estar cheio de gente, mas costuma estar vazio. As pessoas costumam querer lugares só pra elas, seu próprio cantinho. Achá-lo na própria imaginação não é defeito.
E você, tem um príncipe encantado? :D
sexta-feira, 11 de março de 2011
Drama

Há quem defina drama como algo de gente mimada, dizem que quem é dramático "Faz um drama só pra aparecer" e daí em diante.
Eu sou do tipo dramática. Não pra aparecer, se bem que isso às vezes é um efeito colateral. Intensifico as coisas e assim sinto que vivo mais. Minhas tristezas são intensas e as alegrias absolutas. Sinto até o que não me pertence: vibro com conquistas alheias e quando magoam pessoas próximas a mim, sinto-me diretamente atingida.

E o drama,
puro como em um filme,
corre em mim
e me faz ser quem eu sou,
do jeito que sou.
Quase um escândalo.
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