Um dia, sem ela saber, levaram uma aranha para a faculdade. A garota fazia arquitetura e urbanismo, estava no 3º ano, mas estudava com pessoas imaturas. Não entendeu, simplesmente levaram. Uma caranguejeira. Enorme, peluda, nunca tinha visto algo assim. Era do tamanho da palma da mão aberta de uma pessoa. Observava inquieta, apesar de tentar fingir indiferença. Depois guardaram e ela respirou aliviada.
Mas não acabou por aí. Enquanto ela se concentrava em suas anotações, tiraram a aranha de dentro do pote onde a guardavam e colocaram nas costas dela. Por que? Acharam engraçado. Sentiu algo sobre as costas, como dedos. Quando foi tocar para ver o que era, lhe ocorreram muitas coisas. De imediato, algo peludo e grande, caminhando lentamente com suas várias pernas grossas. Depois, o arrepio percorreu-lhe a espinha e subiu pelo corpo todo que tremia, apesar do esforço para ficar imóvel, o pânico ia lhe consumindo com uma voracidade que sentia-se mesmo a ser engolida viva. Não sabia o que fazer.
A turma ria maldosamente. Nenhum professor na sala, era intervalo. Alunos de outra turma passavam pela porta e paravam para ver a garota com a expressão facial desesperadora enquanto a aranha gigante caminhava alcançando seu ombro. Já sentia os pêlos diretamente em sua pele do pescoço. Coçava, pinicava, talvez doesse - ela não sabia definir.
Não aguentou pensar naquilo sobre seu rosto. Chorou. Chorou tanto, amaldiçoou a turma, todos os professores por não estarem presentes, as pessoas que olhavam sem fazer nada para ajudá-la. Amaldiçoou tudo, menos a aranha. "Essa, essa sim" pensou "é uma mãe vingando os filhos".
Nenhum comentário:
Postar um comentário