quarta-feira, 29 de junho de 2011

Lago


Atravessava a ponte sobre o lago da Universidade. Na ida, preocupava-se com a chuva e o vento, que tornavam seu guarda-chuva pesado e instável. Tinha medo de derrubar os livros que carregava, pois haviam várias poças d'água. Pensava nas mãos congelando, mas estava com sorte: colocou todas as blusas de manga comprida que encontrou em casa, num total de seis, então estava quente no restante do corpo.

Na volta, a chuva tornou-se uma leve garoa e não havia mais o peso dos livros. Olhou para baixo enquanto atravessava a ponte e contemplou pela primeira vez o lago. A água não era limpa e nenhum dos peixes estava visível naquele dia. Com o vento forte, pequenas ondinhas curvas e sucessivas formavam-se e lembravam impressões digitais. Por causa do frio, a visão da água não remetia a algo líquido, mas a uma gelatina. Se estivesse mais frio aquilo logo congelaria.

Mas a ponte era curta e logo chegou do outro lado. Ainda olhou para trás e indagou se, caso o lago congelasse, os alunos poderiam patinar no gelo.

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