Oi gente, passei um tempo fora, não sei se perceberam... meu computador estragou. O que eu tenho pra falar poderia ser uma nota no facebook, mas resolvi colocar aqui. Sinto falta de postar.
Prometi que meu post de retorno se chamaria "Igreja". Digito depois, quero falar de outra coisa com vocês.
O PORQUÊ SOU ESCRITORA (PARA ESCRITORES)
Não sei se vocês sabem, mas escrever, pra mim, não é apenas um hobbie, vai além de twittar. Não valorizei, descobri isso quando perdi todos os dados do meu antigo PC: vários dos meus inacabados (e acabados) textos se foram para sempre. Quero falar sobre os inacabados.
Fui criança de prédio (condomínio, especificamente), odiava esportes e amava ver todos os desenhos animados. Naquela época eu desenhava também. Mandava mal, mas eu achava lindo. Minha mãe odiava aquela bagunça, jogou tudo fora. Aí passei a escrever.
Meus textos eram como os desenhos: não davam mais trabalho, não custavam menos tempo e nem contavam outras histórias. Sempre criava personagens com super poderes, que voassem para me contar como era o mundo.
Eu já não era tão novinha quando criei a Líliam, nem foi minha primeira personagem. Aos 10 anos as amigas dela já existiam, aos 13 ela surgiu e, quando eu estava com 14 anos, todas já possuíam um mundo completo.
Sempre tive relutância em escrevê-las. Tantos anos imaginando-as com perfeição televisiva (nossos mundos nunca se cruzaram), para entregá-las em poucas páginas. Pior, para imaginarem uma Líliam com cabelo ruivo de tom diferente, com nariz mais fino. Uma catástrofe.
Hoje*, conversei com a minha professora de língua portuguesa (a Ana Mira, não sei se vocês conhecem) e ela me disse algo. Depois que escrevemos o texto, ele não é mais nosso, é do leitor, que nunca vai ler do jeito que imaginamos; é preciso um desapego. Mas, que horror, me desapegar deles, o que a Líliam faria sem mim? Que horror, professora, eu os criei com tanto carinho para soltá-los ao mundo?
Bem que dizem que escritor é maluco. Taí o que estava errado: eu não conseguia escrever porque nunca quis transformar esses personagens em palavras. Nunca quis que os conhecessem em plenitude como apenas eu me considerava no direito de fazer. Bobagem.
Para reformular toda a história e pela primeira vez cruzá-la com a realidade, vou levar um tempo. E aí escrever tudo vai ser um sufoco. Por isso estou abrindo mão de "Subversão" (texto que usei na Oficina de Romance da Biblioteca Pública do Paraná).
Creio que só os escritores vão entender o que eu falei. São malucos também.
*"Hoje" se refere a 10 de agosto de 2011, data em que a versão escrita à mão foi feita.
O PORQUÊ SOU ESCRITORA (PARA NÃO-ESCRITORES)
Aos 13 anos, criei uma personagem chamada Líliam. Nunca consegui escrever a história dela, até que hoje resolvi parar tudo e tentar.
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