Começa assim:
- Você já me traiu?
E a resposta óbvia:
- Claro que não, meu amor.
Mesmo se tivesse traído, você não diria. Os mais inseguros inclusive treinam na frente do espelho a expressão facial "adequada", normalmente uma mistura de choque e indignação "Mas como uma pergunta dessas??? Eu nunca trairia você! Imagine... como pode, tamanha falta de...". Amadores. Já os mais experientes respondem com segurança, mas não tão exagerada a ponto de parecer declaração de amor à pátria. "Claro que não, meu amor", simples assim.
Pois é. Nesses dias dei de cara com uma pergunta que não era essa.
- Digo, você já se imaginou com outra mulher que não fosse eu?
Fiquei surpreso. Desde quando isso é trair?
Mas essa pergunta levanta uma questão a todos nós, homens e mulheres. Quem nunca traiu em pensamento? Nem é por querer, e não são só os homens não. Meninas, vocês assistem essas coisas de Crepúsculo, esperando o "vampirão" morder vocês (sei lá porque acham isso obsceno) e reclamando que não somos como o Edward: não julgamos vocês por isso.
Também, ninguém controla a imaginação. Sei disso por causa de um exercício nada a ver que fizemos em sala de aula, cada um dizia em que tava pensando. Acha que a gordinha imaginava comida? Que nada, sua mente estava no Egito, fugindo de múmias recém ressucitadas pela Pedra Filosofal do Harry Potter. E a maior viagem não foi dela não.
O que estou tentando dizer é que pessoas "traem" mentalmente, porque nosso pensamento é uma loucura, totalmente fora de controle. Nem caberia aí a palavra trair, defendo o termo "se aventurar". Não que eu esteja o tempo todo pensando em outras pessoas e lugares, só que às vezes saio da casinha. Todo mundo não faz isso? Faz.
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