Hoje em dia não parece, mas em julho de 2007, apenas quatro anos e meio atrás, eu tinha 14 anos. Acontece que resolvi mudar apenas de unidade no meu colégio, mas alguns livros eram diferentes. Isso me levou, pela primeira vez, à livraria do Chain.
Odiava livros. Aprendi a aceitá-los depois que entrei em jornalismo, em agosto do ano passado, e a amá-los apenas esse ano. Sem querer ser depressiva, mas muita coisa poderia ser diferente se o tivesse feito antes.
Enfim, voltando à história. Então eu, com meus catorze anos, entrei com a minha mãe na livraria. Já estávamos levando os livros quando um idoso se aproximou de mim. Era o dono da loja. Queria que eu levasse "Dom Quixote" - não comprá-lo, mas que eu lesse e depois lhe devolvesse, assim, sem compromisso.
Desprezei a atitude. Não queria o maldito livro. Livros nojentos, tão esnobes, cheios de letrinhas que, depois de certo tempo de leitura, me doem a cabeça. Livros com palavras que não entendo, de assuntos que não me interessam, com histórias que não me cativam.
Neguei até o fim e fui embora. Foi minha mãe quem me contou que ele era o dono. Hoje não sei nem se está vivo. Também nunca pensei a respeito disso, a memória me voltou há pouco.
Nos círculos que frequento hoje, as pessoas julgam demais. Ninguém se concentra no fato de que hoje eu amo livros. Ou focam que eu não gostava antes (o que consideram um absurdo), ou me consideram absurdamente inculta porque não li Dostoiévski, "nem Saramago! Misericórdia!". Não querem saber que mudei.
É justamente isso que é o mais importante pra mim, eu cresci. Cresci e amo livros, hoje eu não faria o mesmo. Porém, ainda me sinto incompleta: não li Dom Quixote.
Eu também não! Tenho aí alguns anos a mais que você e amo livros a bem mais tempo, mas e daí, né? Para os livros sempre haverá tempo! :)
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