domingo, 6 de dezembro de 2015

Sobre sentimentos idiotas

Depois de você, eu prometi a mim mesma que não seria mais sentimental, porém, cá estou eu, um ano depois do dia em que nos conhecemos, escrevendo um texto idiota, sobre sentimentos idiotas.

Você entrou na minha vida pouquíssimo tempo depois que o meu namoro acabou. Quando eu achava que não iria querer nada por um bom tempo. Na primeira vez que conversamos, era como se fôssemos velhos amigos. Na primeira vez em que saímos eu genuinamente gostei de você, de como você me fazia rir, como eu podia ser eu mesma perto de você, como você entendia o meu senso de humor estranho e eu não tinha aqueles momentos incômodos que eu tenho com todas as outras pessoas.
Eu não queria sentir, criar expectativas, mas naquela época Blank Space era um hit do momento, e quando eu ouvia era inevitável lembrar você. “I’ve got a blank space baby, and I’ll  write your name”.
Quando eu pensava em você, pensava em te dar um abraço bem longo e um beijo no pescoço. Pensava que gostava de andar de mãos dadas com você, como quando fomos a pé até a minha casa. Era uma maré me arrastando sem eu perceber. 
Mas não era o que você queria. Sabe, li um texto sobre o filme 500 dias com ela, e talvez eu seja como o Tom, afinal. Logo você começou a me enrolar. Marcava de sair, tinha um imprevisto, desmarcava. Começava a responder minhas mensagens, de repente ficava calado por dias, no meio de uma conversa. Sempre era eu quem voltava e insistia - justo eu, que odeio puxar assunto com as pessoas.
Talvez eu tenha ficado mais magoada com tudo o que criei em minha cabeça e foi frustrado do que com você, propriamente. Você não podia simplesmente dizer que não queria mais sair comigo, ao invés de me ignorar e me enrolar?
Você me disse que gostava de mim e isso te assustava, que você não conseguiria levar adiante. Um lado meu acreditou, outro não. O que acreditou ainda tentou, mais uma vez, te chamar pra sair. E mais uma vez você ignorou. Até hoje a mensagem está lá, a última que te mandei. Ainda agora, meses depois, eu olho para ela e sinto uma pontada (e lembro de Blank Space "It will leave you breathless or with a nasty scar").

O problema é o que me tornei depois de você. Antes eu acreditava cegamente no amor. No amor dos filmes: “Love is like oxygen… love is a many splendored thing, love lifts us up where we belong, all we need is love”. Aí meu ex cravou a faca, e você torceu-a em meu peito.
 Depois de você, eu não queria acreditar mais. Eu não gostava das minhas conversas, dos meus encontros. Não me importava com eles, queria que fossem embora. Não quis sair de novo com ninguém. Tudo era estranho, eu não me sentia à vontade. 
Eu sei que eu criei tudo isso, que eu criei, cedo demais, um "eu e você" que não existia. É que você me fez bem e, naquele momento, eu realmente precisava.
O problema é que, nisso de não querer mais sentir, eu dispensei alguém que eu realmente queria, e que me queria também. Eu tive medo. Eu pensei em tudo o que poderia dar errado. Eu me convenci que aquilo era a coisa mais idiota do mundo. Uma hora, alguma coisa o faria ir embora. Pra quê começar?
Então eu menti que não sentia nada, e ele foi embora. E eu fiquei aqui, com o meu espaço em branco.

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