sábado, 1 de dezembro de 2012

Coisas de despedida

Havia menos de metade dos convidados a uma da manhã, quando acabou a festa de despedida. Nosso voo seria às seis e deveríamos sair de casa quatro e meia, mas nenhuma de nós se importou, teríamos tempo de dormir no avião. Por fim, restamos apenas nós quando Anne apontou para algo que estava atrás de mim. Virei.

- Líliam?
- Ah, oi Chuck. 

Charles McGregor foi um garoto dois anos mais velho que eu, com quem eu fiquei pela primeira vez em uma festa. Eu tinha doze anos na época, estava na sexta série e ele no primeiro ano do ensino médio. Era óbvio que ele gostava de mim antes e também depois daquele beijo, mas eu, que desde os sete anos sou quase impossível de me apegar, não conseguia gostar dele.

Apesar dele aceitar ficar comigo sem compromisso e de aceitar também o fato de que eu não gostava dele, a verdade é que achei nossa história muito triste. Eu me sentia uma rosa repleta de espinhos, nos quais ele passivamente aceitava furar-se. Estranho, ver alguém sofrendo e saber que é por sua causa.

Um dia, para fazer ciúmes, ele disse que estava cansado da situação e que ficaria com outra pessoa. Mas eu não o procurei. Também, por orgulho, ele nunca voltou, até aquele momento.

- Você não vai voltar pra cá?
- Nas férias, provavelmente.
- Digo, morar.
- Ah, não.
- Que pena.
- É.

Eu sabia que ele ia me beijar e não resisti. Quando estava sozinha com Anne e ela me perguntou o que houve eu respondi, sinceramente:

- Coisas de despedida.

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