sexta-feira, 18 de maio de 2012
Pinguim
Sentia frio, era o que sabia. O inverno era forte e o tempo estava mais desanimador a cada dia. Primeiro frio, depois nublado, chuva e aí chuva com vento forte.
No local de trabalho, por cuidado com a saúde dos funcionários, as janelas eram mantidas abertas, inclusive quando chovia e molhava a mesa do pobre estagiário que ali embaixo ficava.
O homem tinha o nariz grande e turvo na ponta, o que já o tornava alvo de piadas. Seus olhos eram escuros e ele mantinha aberto o casaco preto de mangas compridas, expondo a camisa branca de uniforme do serviço.
Nunca cuidou muito da postura, mas naqueles dias de inverno a questão era outra. Havia se tornado totalmente encolhido, como um velhinho. Andava quase se arrastando, como se fosse uma máquina cujas engrenagens travaram pelo frio. Somando-se ao restante da aparência, concederam o apelido que o marcou pelo resto da vida: pinguim.
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