Meu vizinho tinha um Husky siberiano, lobo maravilhoso, com um olho azul e outro castanho, os pelos acinzentados e brancos. Tão bonito que causava inveja tanto a nós, vizinhos admiradores de cães, quanto aos próprios mascotes dos arredores.
Teófiles, ainda meio filhote, possuía apenas um ano e meio. Era brincalhão e se entendia com crianças, permitindo até as manobras mais ousadas, como puxar-lhe o rabo, as orelhas, ou tentar montá-lo como um cavalo.
Sendo o Husky uma raça de puxar trenós, todos os domingos o vizinho organizava uma brincadeira que os pequenos adoravam. Havia uma caixa de madeira, à qual, brilhantemente, os moleques conseguiram anexar rodinhas. Estava segura à uma guia, cuja outra extremidade era presa ao cão, que saía correndo pela quadra. Era permitida apenas uma criança por vez, para não sobrecarregá-lo, mas ele mantinha o pique por horas, atendendo a todas.
Seu dono tinha uns vinte e tantos anos e morava apenas com o cão, dividindo com ele todo o seu tempo livre. Saíam diariamente para caminhar, assistiam TV e até a casinha de Teófiles ficava no mesmo quarto.
Um dia, ao sair de casa para ir ao trabalho, como fazia todas as manhãs com seu Corsa vermelho, não percebeu que o portão não havia fechado. Ao voltar, nove horas depois, assustou-se com o portão aberto e entrou desesperado. Antes mesmo de conferir se havia sido roubado, gritou por Teófiles. Nada. Colocou em todos os lugares que pôde a foto do cão. Até procurei, mas sem resultados.
Uns dois meses depois, quando o vizinho já havia comprado e se entendido com um boxer, passei com meu carro na rua e vi o cão deitado ao canto do asfalto. Nem o reconheceria, não fossem os olhos heterocrômicos: estava quase sem pelo por causa da sarna, muito mais magro e com parte da orelha esquerda comida.
Ele não se mexia e provavelmente acabaria sendo atropelado caso não o fizesse. Estacionei o carro e, quando ele me viu, balançou o rabo e se esforçou para levantar. Aí descobri o problema: estava com a pata direita traseira quebrada, gemeu de dor. Levantei-o e, sem ligar para as moléstias, coloquei-o no banco de trás e fui direto para a casa do vizinho. Ele ia ficar tão feliz quando visse Teófiles.
Chegando lá, animou-se com a notícia, mas assim que viu o estado do cão veio com uma conversa de que não iria querer dois cachorros, não caberia no orçamento, não tinha tempo para cuidar, isso e aquilo.
Pois fui eu quem levou Teófiles ao veterinário. Uns banhos, ele andava com a pata engessada pra lá e pra cá por quatro meses, uma figura. Ainda chora feito uma coisa quando olha para a casa do vizinho, ou o vê passeando na rua com seu novo cão.
Uns dois meses depois, quando o vizinho já havia comprado e se entendido com um boxer, passei com meu carro na rua e vi o cão deitado ao canto do asfalto. Nem o reconheceria, não fossem os olhos heterocrômicos: estava quase sem pelo por causa da sarna, muito mais magro e com parte da orelha esquerda comida.
Ele não se mexia e provavelmente acabaria sendo atropelado caso não o fizesse. Estacionei o carro e, quando ele me viu, balançou o rabo e se esforçou para levantar. Aí descobri o problema: estava com a pata direita traseira quebrada, gemeu de dor. Levantei-o e, sem ligar para as moléstias, coloquei-o no banco de trás e fui direto para a casa do vizinho. Ele ia ficar tão feliz quando visse Teófiles.
Chegando lá, animou-se com a notícia, mas assim que viu o estado do cão veio com uma conversa de que não iria querer dois cachorros, não caberia no orçamento, não tinha tempo para cuidar, isso e aquilo.
Pois fui eu quem levou Teófiles ao veterinário. Uns banhos, ele andava com a pata engessada pra lá e pra cá por quatro meses, uma figura. Ainda chora feito uma coisa quando olha para a casa do vizinho, ou o vê passeando na rua com seu novo cão.

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