quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Chapeuzinho Vermelho - Parte 2

Foi difícil adaptar sua visão à escuridão do bosque. Poderia ter tomado o dobro do tempo usual, e o forte cheiro de bolor também a incomodava. Ela entrou devagar, observando atentamente entre galhos e no chão, em busca de seu delicado envelope. Em poucos passos toda claridade havia se extinto daquele lugar. 

Cíntia passou a se preocupar. Sua respiração se tornava mais sofrida com o odor fortíssimo de bolor, a escuridão não lhe permitiria encontrar o envelope mesmo que estivesse em sua frente. Quando virou para dar meia volta, seus pés enroscaram em um galho e ela caiu. O barulho quebrou o silêncio, até então predominante no bosque.

Foi caída no chão, tentando desenrolar sua perna da armadilha oculta nas trevas, que escutou. Era uma sequência de uivos longos, que pareciam anunciar sua presença, talvez até comemorá-la. Sentiu um calafrio percorrer sua espinha, suou frio. Não parecia estar perto, nem longe, o que a apavorou ainda mais. Exultou-se para tentar arrebentar os galhos que a prendiam, então percebeu que estes possuíam pequenos espinhos: perfurou toda a mão esquerda.

O líquido quente escorria por sua mão, mas ela conseguiu se desvincilhar dos galhos. Queria gritar, mas estava paralisada pelo medo. E se gritasse e o lobo a encontrasse mais rápido? Tentou correr, mas sua falta de sentidos pesava. Além disso, havia o pânico: ela não pensou para que lado correu, apenas o fez. Poderia estar adentrando ainda mais no bosque, naquele exato momento.

Era tão pequeno, aquele bosque escuro. Mal cobriria uma quadra. Naquele momento, porém, parecia tão imenso quanto o mar. Como jamais ouvira um lobo uivar, durante todos aqueles anos? Talvez porque jamais alguém entrara ali antes - o lobo devia estar faminto, e finalmente a comida chegou em sua toca.

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